sábado, 5 de setembro de 2009

Alone


I am leaving you this time
I'm not letting you play with my mind
And I'm moving with my life
This time I'm leaving you behind
All the times that you told me lies
And you know that it happened too many times
Now it's time that I realize
I'm better off alone

-Offer Nissim featuring Maya-



Eu sou um poeta medíocre perdido numa sala cheia de papéis velhos, livros lidos e cadernos rabiscados. Correndo atrás de inspiração pra finalizar meu primeiro livro, correndo atrás de dinheiro pra pagar o aluguel desse apartamento caindo aos pedaços na Rua do Lavradio. Eu sou eu mesmo e nada mais. Apaixonado por você, desesperado por você e nada mais.

Você aparece de repente, quando não espero – mas claro que, secretamente desejo que você apareça – mas somente quando perco as esperanças e concentro-me nos meus dias é que você vem.

Causou-me espanto aquele dia. A busca desenfreada pela origem do caos e de todos os medos acumulados. É mal de amor gritam os próximos, que nada entendem da diferença entre simples amor e a dependência química da qual sou vítima. Sua falta é como dor muscular, dói até quando em mexo na cama de manhã procurando o relógio. Só vou curar-me horas depois, já com você ao telefone. E, nos dias mais críticos, com seu dedo tocando a campainha de casa. O coração fica aos pulos e sobressaltos.

Passar um dia inteiro com você é cansativo demais pra minha cabeça. O sentimento urra e a vontade de te fazer sempre meu persiste. E só quando vai embora que me surgem todas as perguntas que queria te fazer.

Estou quase furando o chão do meu quarto dando voltas e voltas. Essa solidão pavorosa, eu olho a cama onde você se atreveu a deixar seu perfume. Eu preciso sair daqui. Há uma festa hoje, aniversário de uma antiga amiga, essa festa há de me fazer bem.

Com um copo de uísque e uma porção de queijo brie, sento numa mesa com velhos conhecidos. Os caminhos do mercado imobiliário, a nova tendência da economia e os investimentos na educação não me despertam nenhum interesse, tampouco os desfechos folhetinescos da novela ou a vida amorosa daquela ex-colega de turma. Você me interessa. Só você.

A aniversariante radiante em seu vestido vermelho desfila pelo salão enquanto seu namorado recepciona os convidados e fotografa a festa.
Você será esse tipo de namorado? Receberá meus convidados e fotografará minha festa?
Ou será sempre o que me deixará sozinho no sábado, enquanto todos os outros casais passeiam de mãos dadas?

Sei que esta condição que estamos imersos é a que mais te agrada, como você consegue viver assim? Valho tão pouco? Minha companhia é assim tão descartável?

E todas essas perguntas dançam na minha cabeça. Saio da festa com a possibilidade de sexo fácil e esquecível. Existe a possibilidade de este sexo ser tão esquecível como a minha pessoa é pra você?

Recuso. Vou para a casa sozinho, nessas horas qualquer companhia atrapalha. Só a solidão e o sofrimento, a saudade e a angústia me farão sentir que estou vivo. Chorar é tão fácil, chorar sem controle e sem ninguém pra ouvir. Ah, é dor demais e nem sei se saberia me sentir de outro modo. Com o tempo, você se acostuma com a dor e ela se torna parte de você, assim o monstro agora é a felicidade, que já esqueci e, portanto, é desconhecida. É a chance de ser feliz que me dá medo.

Procuro o telefone e te ligo, você obviamente não atende, evidente que está pela noite se divertindo enquanto eu choro. Quem pode te culpar por isso?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Strip-tease

(INSPIRADO EM TEXTO DE MARTHA MEDEIROS)

Me tira essa máscara
que cansei de disfarçar
esse desejo incongruente
que me faz transpirar

Me afrouxa a gravata
que ela prende as palavras
que preciso dizer

Me desabotoa a camisa
botão por botão
Me liberta o peito,
os mamilos, o coração

Me solta o cinto
e deixa a calça cair
que minhas pernas estão
bambas de tanta insegurança

Me tira os sapatos e as meias
Preciso saber onde estou pisando

Agora me permita tirar a última peça
E que eu mesmo te revele o meu plano
Vim me entregar e dizer que te amo
com medo que você não sinta o mesmo
com medo de entrar em crise
após desnudar minha alma
neste sincero strip-tease.




Foto: Jude Law

quinta-feira, 23 de julho de 2009

L'impossible

(JOGANDO CARTAS COM RIMBAUD E VERLAINE)



Jogava cartas com Rimbaud e Verlaine.
Bebíamos absinto, fumávamos charutos
e eles dividíam comigo
os seus segredos de alcova.

Mas não era a liturgia da cama,
a luxúria francesa dos dois gênios,
a penetração forçada do intelecto
que me interessava.

Queria sim, que me revelassem
onde se esconde toda força, toda boemia,
toda beleza deste sangue chamado poesia.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Diabólico

Eu sou o próprio demônio
com vestes bonitas que
na rua permeia incêndios
e secretas reuniões.
Devaneios, subsídios.
Os homens se perdem
Em meio a seus bichos.
Animais de nós mesmos
lutamos contra uma ordem
que compactua em toda parte.
Viril, sou aquele que não
se deve dizer o nome e à quem
se agrega todo tipo de maldição.
O homem não entende sua
própria corrupção.



Fotos: Jesus Luz

sábado, 4 de julho de 2009

Tritesse


A tristeza me bloqueia, paralisa
e não encontro para ela uma saída
em livros, cigarros, poesia.

Fico apenas encarando o vazio
e me faltam palavras. É tudo mesmice.

Quero encontrar essas palavras novas,
sorrir sinceramente e não de euforia
e acreditar que não estou me perdendo.

Quero viver como quem está vivendo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Crepúsculo

Perto de você eu me sinto jovem
e lembro daquela parte boa da adolescência.
Perto de você me sinto mais humano
e esqueço dores e pendências.

É como se vivêssemos num filme:
Uma história de amor teen
cheia de desafios, vilões, perigos
e um certo final feliz.

Você nem percebe o quanto imagino cenas
Nós dois vampiros ou astros do rock
Mordidas no pescoço. Uma batalha.
Coisas assim, de revista.

Essa é a brincadeira, tudo isso.
A trilha sonora emocore dos vampiros,
seus olhares mágicos, seu sangue frio.

É boa essa certeza de que, mesmo
quando a noite nos separa, o amanhecer
vem nos buscar, ainda que no escuro.

É que estar com você é viver
um permanente crepúsculo.

Porguestu II


Acho José Vivas lindo
não por ter olhos pequenos
e escuros e infantis, nem porque
gosto da sua boca e do seu beijo.

Acho José Vivas lindo
não porque se anima diante
das festas, das raves, ou
porque entende dos mistérios
cibernéticos que eu desconheço.

Acho José Vivas lindo,
não porque fico de pau duro
cada vez que o toco, nem por ele
ser indiscreto nos assuntos do corpo.

Acho José Vivas lindo
não por ser generoso e amigo
e por gostar de todas as pessoas
tanto as iluminadas
quanto as que vivem no breu.

Acho José Vivas lindo
porque ele é meu.

domingo, 24 de maio de 2009

Futuro


Quando a vida for boa;
as contas em dia,
aluguel pago
a geladeira cheia
e a caixa das preocupações vazia.

Quando eu estiver bem,
estabilizado,
namorando alguém,
talvez casado,
estarei cheio de alegria.

Mas sentirei medo
que neste dia,
me faltem dores
suficientes pra fazer
minha poesia

Felipe


Da boca da noite
ele aparece
jeans surrado e coturno
e um nome que tento
rimar com caça-níqueis:
felipe
Uma conversa rápida,
alguns goles,
confissões,
nada de assuntos do coração
viver é o que interessa
ele diz, enquanto
muda rapidamente
pra assuntos relevantes
como a conta-bancária
do próximo cara
que ele vai comer.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

15/03/2009

Um beijo. E eu não imaginava que um beijo
fosse um terreno tão perigoso.
Um beijo. E eu deixei o rancor pra trás.
E falamos do passado, assuntos inacabados,
mal entendidos. E lembramos de outros
beijos, e dos abraços. Que diferença.
E eu era tão apaixonado e eu te queria tanto.
Hoje é só lembrança. Educados, comedidos.
Um beijo. E tudo vem à tona.
Um beijo e um nome. Asy.
E risadas, velhos amigos, a mesma turma, nossos filhos.
Que eles se atrevam à ser diferentes de nós.
Você foi um canalha, só por isso não vou te esquecer.
Um beijo e um cigarro divididos na boate escura.
Um beijo envaidecido pela luz da lua.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Noite Cinza

23h 59. acendo um lucky strike e
procuro relaxar sob o silêncio
interrompido pelas vozes bêbadas
dos vizinhos alemães.
Adélia e Caetano se misturam.
O escuro da noite é assombroso
e mostra como até hoje só tive dúvidas.
Renato Russo entra na jogada
aumentando ainda mais o
congestionamento na minha mente;
nada sei realmente da vida
nem desconfio o que seja a dita “arte de vivê-la”.
Angra dos Reis está se tornando meu refúgio
quero mais de suas areias escuras
e sentir mais radioatividade no sangue
e ser esse sujeito confuso que periga
e que não sabe que merda, afinal, é a vida.

Angra, noite de carnaval, 2009



Foto: The Power of Goodbye, Madonna

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Choses de la vie

Choses de la vie. Ele não sabia onde havia lido isso, mas sabia o que significava. Coisas da vida, ah, e que vida! Ele estava mal, muito mal, Não tinha noticias de seu amor há muito tempo (seu, pois o amava incontroladamente desde sempre, embora o amor em questão já o tivesse esquecido) e sofria com a angústia dessa falta de informações. Estaria ele bem? Mudara de emprego? Conhecera outra pessoa? Casara? E rodava e rodava a sala de estar, deitava, sentava, levantava, suava como se tivesse tomado anfetamina direto nas veias. Lembrou-se daqueles tarja preta comprados ilegalmente. Nada, era só saudade mesmo. Só saudade, apenas isso, sentimento antigo e corriqueiro transformado numa obsessão estranha. Doente, ele não sabia o que fazer, nem se devia fazer algo. Água fria no rosto, engole um Olcadil, ligou o rádio – tem que estar muito na fossa pra ouvir Djavan. Sentou na mesa, olhou a foto de seu amor. Lembrou do dia em que o amor lhe dissera: “Me apaixonei novamente, o nome dele é Gustavo!” . Aquele nome rompera suas artérias como uma gilete afiada num rosto adolescente. “Gustavo, Gustavo. Será Gustavo melhor que eu?” pensou. Encerrou o rosto sobre a mesa e chorou. E ouvindo Djavan, escreveu:


Sobre Gustavo.

Espero que ele seja o homem certo,
de rosto iluminado e abdômen definido,
que não te ofereça um amor embolorado
como fazem os rapazes da pista.

Ele há de ver sua verdadeira origem,
aquela que você esconde, que só
eu conheço.

Que ele seja belo, vaidoso
e saiba pra que servem seus cremes.

Que Gustavo seja paciente e forte
e saiba o valor do silêncio
e sobre o que não conversar
no café da manhã.

Eu duvido.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Something to remember.

para Caio Cal
"Say that happiness cannot be measured,
And a little pain can bring you all life's little pleasures.
What a joke.

We weren't meant to be,
At least not in this lifetime,
But you gave me something to remember.
I hear you still say, "Love yourself".

-Madonna-

Eu quero te falar das coisas que sinto, penso, invento, procuro, encontro, respiro. What a shame! Peço desculpas por pensar ser poeta e por viver escrevendo sobre histórias como a nossa, já findada. Mas é isso que tenho, pequenas mortes, e é disso que me alimento. O passado sempre se pinta com tintas de divino, principalmente quando o presente carece de emoções. E assim, a realidade sai de cena, deixando um filme à passar diante dos meus olhos quase que diariamente. É incrível como assisto à nós dois pelos caminhos, filme de ficção, eu dentro das lojas Americanas escolhendo um cd pra te dar (Madonna ou Mariah? Você gosta tanto das duas...queria mesmo era te dar um da Nara Leão, a versão dela de corcovado é linda...). Escolho roupas pra você, as cores que combinam com tua pele e os modelos que você gosta, clássicos e americanizados, como você, tão diferente dessa minha breguice latina. Nos encontramos. Hambúrgueres. Brindes. Vamos pra sua casa. Vou observando a noite na estrada e segurando tua mão. Percebo que sou feliz.
THE END.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Indômito

para Francisco Ferreira


Indômito, é para o teu nome o canto dos
arqueiros com suas flechas apontadas
na direção das acácias. Que arfo.
É por causa destes olhos, duas vivas
vitórias-régias, esta luta de incautos.
E pelas algas, líquido viscoso e brilhante
à escorrer destes lábios carnudos escarlates,
do suor que desabrocha do teu peito moreno
à persuadir os inocentes desta trilha.
E dos pêlos que tens abaixo do abdomêm
de onde saem demônios e deuses que
confundem, elevam e aprisionam.
Teu espírito, desprovido das sutilezas
explora as fronteiras do mundo.
Audacioso, não percebe que existem
barreiras, na terra nos mapas no sexo.
Indômito, revelo teu nome indomável
para aliviar aqueles que assumem o
teu risco. Indômito, teu nome é Francisco.




quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Primeira viagem à Angra dos Reis.

Quis escrever aqui um único poema
sobre esta viagem. Sobre estas miragens
reais do paraíso que, enfim, existe.
Angra está chuvosa e fria neste outubro
do ano que mais sofro.
A água do mar é fria, e as alegrias excassas.
A solidão me é necessária, a tristeza bela.
E no dia que o sol surgiu das montanhas
deixando a vista alegre e a praia convidativa.
Justamente neste dia eu quis olhar a chuva
da janela.

09 de outubro de 2008

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Amor de José

Para George e nossos Josés.


- George, senta aí que eu tenho uma novidade pra te contar.
- Conte aí amigo!


George,
Me apaixonei novamente,
é tão bom.
Que boca pequena.
Que pele rosada.
Que jeito maroto ele tem.

Hudson,
Me apaixonei novamente,
também.
Que olhos castanhos.
Que jeito suave.
Que sorriso iluminado ele tem.

E se chama José o meu bem
O meu se chama José também
O amor chegou feito raio de sol.
Amor de José só sabe quem tem

Então vamos,
os nossos Josés exaltar
porque coincidência melhor já não há.
Um amor assim bom
feito raio de sol.
Quem dera todos tivessem
um José para amar.





[Me encantei com uma música de Tom Jobim chamada "Tereza da praia" em que dois amigos dialogam sobre seus amores, e resolvi escrever este poema-canção.]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Purpúreo

para M.R.

Faz o seguinte; veste uma roupa
bebe alguma coisa, escute Bethânia.
Não tô com paciência pra discurso
socialista, vou folhear as revistas
e me arrumar pra sair.
Você já reclamou do meu jeito hoje
e não entendo porque não posso ser assim.
Então vá comprar seus baseados
que eu vou comprar meus sapatos.

Gosto de transar no banheiro e você
me leva pro chão do quarto,
gosto de sexo escandaloso
e você fica em silêncio o tempo todo.
Mamãe dizia que os opostos se atraem
mas não vejo muita vantagem nisso.
Aproveite que hoje ainda é o meu querido
porque amanhã eu sei que já estará perdido.
Então vá comprar seus baseados
que eu vou comprar meus sapatos.

Você diz que sou fútil, só porque
não entendo a razão de toda sua boemia.
Não queria que as diferenças fossem nosso degredo,
mas não suporto saber que você guarda segredos.
Seu sorriso é tão lindo, mas teu gênio
é tão terrivelmente difícil.
Então vá comprar seus baseados
que eu vou comprar meus sapatos.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Certezas

Eu sei, não posso exigir tanto
de nós. Nada somos além
de amantes sem elo,
compromisso, intenção.
Eu sei, te sufoco com essa
minha mania de querer agradar,
mas relaxe e aceite, não espero
muito em troca, apenas
um pouco de companhia
coisa simples típica de gente exigente
você ainda imaturo, eu terrivelmente
experiente me danando numa
história sem razão. Irracionais
como só nós, sabemos enxergar
desvios sem perigar à erros
cometendo juntos desatinos
típicos de adolescentes, reforçando
o velho ditado de que o bom
não dura pra sempre.

Soneto para José Vivas


Era uma vez uma terra distante, onde
haviam fadas, duendes, príncipes
Essas coisas que se perdem
depois que a gente cresce.


Eu era espectador dessa história.
A fantasia conseguia tirar o lado dark
que a realidade que a gente vive tem.
Você chegou, olhamos o céu.

Docemente ao seu lado, voltei
a sonhar com essas coisas belas
no terraço daquele shopping.


Que seremos namorados, ficaremos juntos
naquela tarde de sexta-feira você
me fez o homem mais feliz do mundo.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Don Juan

Don Juan é deejay de discoteca
e não estamos em Madrid, e sim
numa rua suja do Gragoatá.
Don Juan é paixão de noite
sem dramas, apenas fogos de artifício.
Não recita versos, mas dedica músicas
e me serve diversas doses de tequila.
Don Juan é romance dos bons,
épico moderno, desejo consumado
antes de tornar-se perecível.
Don Juan é amante raro, rápido,
inesquecível.

De noite na cama em Niterói, março de 2007

Feito açúcar

Quero deixar nascer um poema fantástico
desses que imprimem um sentimento irrestrito.
Não um poema para Lucas, José, Caio ou Matheus,
e sim para aquele cujo nome desconheço. Ainda.
Um poema imã. Um poema ímpar com
rimas doces e bem-vindas.
A sweet poem que me deixa leve, sobre
desejos simples, feito bordado de avó
ou mingau de aveia. Um poema macio
feito cobertor de inverno. Um poema terno
bem costurado, elegante.
Um poema de poeta romântico, mas nem por isso
infante.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cereja

José, quanta coisa existia por trás desse
beijo. Quanto veneno, pouca lucidez,
quanta acidez nesses lábios vermelhos,
nesta boca pequena, José.
Que teu corpo ainda é meio puro
e eu já ando um pouco imundo
por ter entrado cedo na vida.
Sente minha paixão, José
me arranca as inscrições
de quem já esteve aqui,
encosta teu sexo no meu,
faz silêncio e vigia.
Fica assim comigo;
nu, livre e vagabundo,
porque é depois do gozo, José

que desaba o mundo.

sábado, 29 de novembro de 2008

Just Friends

para o Asy


Por alguns dias e horas nós dividimos sonhos, sabonetes, sustos, ideologias como dividíamos um maço de Hollywood azul (porque aquele era mais fraco, lembra?) Será que ainda é o mesmo balconista no bar perto da prefeitura? As coisas não devem ser as mesmas, sabe por quê? Você não tá aqui, e faz tempo. Lembra daquelas raves? Quando eu ainda usava vermelho e você uma touca cinza pra não mostrar os cabelos, acho que nessa época eu ainda não amava você. A cronologia das emoções é incerta, não consigo saber em que momento comecei a te amar. Às vezes parece que sempre te amei, mas depois lembro que só gostava ou que só sentia atração, tudo muito confuso pra se explicar, deixa como está. Hoje, ah hoje eu te vejo sem mais sobressaltos e às vezes fico envergonhado de te ver bêbado e desnorteado – tá certo que também não sou muito equilibrado – mas hoje eu consigo rir do que antes era ruim de ver. E você? Percebeu o dia que comecei a te amar? Não, acho que não. Porque eu nunca disse, mas saiba que naquele dia da praia, quando todo mundo enlouquecia na confusão, eu te amava tanto que quis até me afogar e te levar junto feito estória de sereia. Agora, o amor parou de apetecer. Agora, somos apenas amigos (ou sabemos fingir ser).

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Intervalo

para M.R.

Chega uma hora do dia que acho melhor
não mais me preocupar, prefiro
sim bordejar por aí, sem me importar
com que tonalidade a paisagem virá.
Tropeço. As esquinas me e se confundem;
cantareira, cinelândia, rua do teatro,
bar da frente, a entrada do shopping center.
Fico andando por aí, pensando no passado,
coisas desse tipo.
Lágrimas, papos, idéias. Parece até que
muito envelheci, são tantos acasos.
Às 18 horas não sei qual o melhor rumo,
se as decisões foram sábias ou se o risco
encararia os fatos. Sei lá.
Eu costumava estranhar o fato de
gostar tanto de garotos imorais,
que trazem no bolso as más intenções
e nas mãos um livro de Vinicius de Moraes.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Encalço


Apareça José
que eu te solto as correntes
que eu te afrouxo os arreios
que eu te ajudo nos delitos
Larga desse jogo
e vamos para a festa.
Deixa logo desse jogo José
que essa é a melhor hora
pra desenfrear os instintos
e abandonar as táticas.
Apareça José
se entrega nessa farra
se arremessa na gandaia
e deixa as cartas lá na mesa
que a presa já ta solta
pra você caçar.


domingo, 16 de novembro de 2008

Na jornada da noite

A minha tristeza agora é silenciosa.
Nada de gritos, telefonemas durante a madrugada
para os amigos, nada de choro no travesseiro
no escuro da noite, as lágrimas agora correm pra dentro.
Elas deslizam enquanto sorrio em alguma festa,
quando olho pro teto do ônibus no engarrafamento.

A minha tristeza agora é calada.
Mora na insônia e no sono
de um lado ao outro deste corpo
e desta alma que só sabem ser tristes
mesmo quando a hora é de celebração.

Eu te amo, entre todas as horas
por todas as estradas de pedra
que tenho enfrentado com pés descalços
e olhos marejados.

Eu te amo, e como eu gostaria
que não fosse por tua causa
essa dor e essa agonia,
que fosse só meu este amor
que fosse só minha, a poesia.

sábado, 1 de novembro de 2008

Consolo

Para Renan e Teris

Não fica triste assim não
que a vida perde logo o encanto
Vamos, a gente viaja lá pra praia
e fica vendo os rapazes passando.

Não chora assim não desse jeito
a gente senta em alguma praça
fica de prosa, falando da vida
e acaba achando logo nela uma graça.

Não se desespera assim não
que os amigos tão por aí
a gente toma umas doses
e chama uns garotos pra sair.

Não me olha assim triste não
que a gente vai numa festa
a gente se joga, se perde
beija uns meninos, esquece de tudo.

Não fica sozinho, não fica de luto
que a gente pega a estrada e o violão
e faz arte com essa dor tua.

Vambora. Os amigos já tão pela rua.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Frígida


A amiga visitou-me esta noite
acariciou-me os cabelos com
sua mão pálida e sedutoramente
fria.

Convidou-me à acompanhá-la
servindo-me seu melhor drinque.

Logo imaginei o vestido preto
da minha mãe sobre a cama
e ela finalmente fazendo uso
dos lenços de linho que lhe dei
no Natal passado.

-Amiga, venha me buscar outro dia, o vestido da mamãe ainda está amarrotado.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Fragmentos da dor existente

I

Comecei tarde a renovação deste meu espírito, quando um fantasma de olhos castanhos nos cerca fica difícil fazer a escolha certa. Eu uso a palavra talvez diariamente, tamanha é minha incerteza diante dos caminhos. Gosto de lembrar de você, de como eu mexia nos seus cabelos, e sinto uma satisfação estranha em não conseguir esquecer. Mais ainda em deixar as feridas abrirem uma a uma sem dó. Talvez ainda não tenha amado de verdade à mim mesmo.

II

Eu tinha muitas dúvidas se conseguiria superar essa condição. Mas seguro bem a barra. Ando com o rosto entristecido, é verdade, mas o que esperavam de mim? Lutei por uma felicidade inventada que nunca se concretizou. Quem pode me culpar por isso? De fato eu cansei mesmo foi de segurar tua mão e achar que o futuro pudesse ser diferente do presente. Escolhi a solidão e ela me escolheu. Eu não à mando partir e ela decide ficar.

III

Sei que lutei muito e por muito tempo, e construí pedra a pedra esta face solitária. E agora precisei me livrar urgente de você, para assim permanecer apenas a ilusão de que você diria que gosta um pouco de mim.

IV

Acordo todos os dias por imposição do destino. Amar um outro alguém seria divertido, mas não encontro ar suficiente pra sequer arriscar. Prefiro o canto do quarto, atrás da porta do banheiro, os cômodos vulgares que não me assustam nem me impedem de sofrer.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Nonchalance


Escrevo poemas sujos,
manchados de noite
degradé degradante
démodé.
Escrevo versos inseguros,
carentes, amarelados,
confissões de um poeta
medíocre e triste.
Escrevo uma história
de amor ridícula;
a história de uma
solidão assumida
de quem não sabe
onde deve ir.
Escrevo palavras
cheias de mofo e rancor
de um poeta imperfeito
que vive seu tempo
sem ter um porquê
e escreve sem saber,
ao certo, o quê.

Blues


O saxofonista implora por moedas,
eu imploro teu amor.

Lavando rosto com água da bica
percebo: Bom é amar teus lábios;
a cor e a doçura deles.

Serei sempre o mais triste dos teus homens,
mesmo contigo nos meus braços.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Oração pelos meninos


Deus, proteja-nos dos nossos
demônios, dos nossos corações
adoentados, dos nossos fantasmas.
Que a paz esteja conosco 24 horas
por dia.God, give us the blessing of living
without pain. Please Lord, heal
our broken hearts.
Deus, cuide de nós. Peço por mim,
pelo Robson, pelo George, pelo Felipe,
pelo Renan, pelo Matheus e pelo Teris Henrique.
Não nos deixei ceder à paixão,
permita-nos a sabedoria a cada novo dia,
que nossas lágrimas não sejam em vão.
Livrai-nos dos males do amor.
Hey man.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Teris


Quem é esse rapaz bonito
que queria amar sem medo
que queria amar à esmo
sem correr nenhum perigo.

Quem é esse poeta menino
cujo pranto escorre aos livros
cuja lágrima corre ao rio
e só queria amar a vida.

Quem é esse menino lindo
que sorri feito criança
e se envolve pelo lírico
e canta o coração partido.

Quem é esse henrique anjo
que hoje limpa o pranto
e amanhã Teris menino
sorrirá em meio ao sonho.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Liturgia



E se eu pudesse ter certeza que, um dia,
essas linhas todas darão em alguma coisa,
me levarão à algum lugar. São tantos
versos medíocres que trazem em si uma
sinceridade absurda e constrangedora.
Eu quero ser poeta de verdade.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Soneto para o Caio.

Eu deito na cama sozinho
já no início da madrugada
a casa inteira em silêncio
apenas a lua mirada.

Nestes minutos curtos que seguem
é quando mais de ti sinto falta
nossos encontros me perseguem
seu sorriso pequeno me arrebata

Um insolúvel adeus todas as quartas
uma vontade diária de encontro
sabe se é a paixão que me governa

Uma fome e sede que não logo se mata
Um feitiço, um delírio, um encanto
Faz duro e inenarrável o aguardo.




*provavelmente de Abril de 2008.

Contágio

Eu te dei o livro da Bruna e você nunca leu,
te dediquei “Contágio” e outros poemas e você nem percebeu
“Quero dormir com você ou pelo menos
te dar um beijo na boca”
Ah, Caio por que partir tão cedo?
Eu dormi com você, te beijei a boca
mas tudo tão velozmente cruel
tão imperativo e inacabado.
me deixando assim após a sua partida: ligeiramente obcecado.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Espera

Perco noites longas
numa espera sem alcance.
Perco noites escuras
entremeadas de
pensamentos e pedidos.
Perco noites à procurar
um distante vazio
nas minhas expressões
cansadas.
Eu me perco
e em tanta perdição
citada, e em
meio à tanta
procura e no topo
de tanta coisa perdida
eu continuo
perdendo as noites
pela tua causa
pela tua vida

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Amy, querida.




Eu ando muito preocupado com você, por isso tomo a liberdade de te escrever pois estou certo de que precisa de conselhos. E pensar que quando ouvi Rehab pela primeira vez achei que você estivesse tirando sarro das Lindsays e Britneys, pois estas sim carecem do talento que em você transborda e precisam meter o pé no diazepam. Mas me diga querida, o que tanto lhe aflige? Sim sei que é difícil ficar longe do amor, mas o que ele vai encontrar quando voltar? Uma mulher destruída. Sim, eu sei que dói ver ele preso, mas pense bem: pelo menos você sabe que ele nunca irá te trair, que ficará fechadinho numa cela querendo teu aconchego, e você pode tranquilamente construir uma vida fabulosa pra quando ele voltar. E que história é essa de comprar coke e se deixar fotografar toda borrada e bêbada quando você poderia gastar milhões em Manolos e nas lojas da Tiffany’s? Faça seus show direitinho, ganhe seu dinheirinho e continue compondo essas coisas maravilhosas, eu preciso de você bem. Ah querida diva, Back to Black é uma das músicas que ficarão pra sempre na minha existência, por isso me dói tanto te ver definhar assim. Compre um violão, mude o penteado, try to say yes, yes, yes. Enfim, I know you are no good, mas achei que valia a pena tentar.
Se você vier para o Tim Festival a gente se vê lá.
Beijos e se comporte direitinho na clínica.

Hudson

domingo, 7 de setembro de 2008

Cinco de setembro.

Para o Mike
Tudo anda muito estranho, amigo, tudo sim
E você feliz, nos braços do teu amor, sabes
à César o que é de César, ou seja, tu.

Ouvi que há uma nova guerra pra estourar na rua
e me preparo em casa, calmamente, lendo Clarice
e descobrindo o mundo nu que já nem há.

Um hiato, meu amigo, só o que resta.
Esses corações tão solitários atrás das
janelas, a história natural de todos nós.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Blues Absoluto

(BALADA DOS AMORES PERDIDOS)
De noite na cama, eu fico pensando
Se você me ama ... E quando
Se você me ama, eu fico pensando
De noite na cama ... E quando
- Caetano Veloso -

Toda noite é, de certa forma, igual às outras que passaram. Em todas há notas de melancolia escorrendo pelo blues pensante de quem não está perto. Toda noite tem uma fome. Uma fome esquisita, da presença de alguém. Alguém que se teve, tem ou gostaria de ter tido. A noite de hoje tem jeito de noite com Bruno, nós nos beijando encostados em algum poste à espera do circular que passa na linha vermelha, e ouvindo de longe o metrô passar. E assim, noutros ares estamos Matheus e eu na praça, enquanto ele ri de minhas manias tolas, como imitar cenas de novela, eu apenas absorvo os espinhos do seu ego. Conforme as horas passam, Asy e eu andamos pelo caminho de Niemeyer, nossos amigos se divertem um pouco à frente enquanto nós, num ritmo menos apressado, sorrimos juntos. No cinema, Caio e eu assistimos a última sessão sem olhar para a tela. Prefiro ele à Gwyneth e ele prefere à mim. E finalmente aqui, na minha cama, escrevo. Um feixe de luz do poste em frente à minha janela ilumina meus quatro amores em volta de mim. E dormiremos todos juntos. Todas as noites. Todos aqui.


Caracóis


Eu prepararei teu leito
e velarei teu sono nessas
frias madrugadas de julho.
Eu interpretarei teus sonhos
beijarei teu rosto e te
acordarei de todo sono
que pareça pesadelo.
Eu te abraçarei em concha
respirarei tua nuca
e nunca, nunca adormecerei
pra não perder-te de vista.
Eu trago uma casa nas costas
pra te guardar pois o corpo
de quem ama se transforma
em lar.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Breu




O tempo passou e só a vontade ficou
Você amadureceu lindamente
mudou os cabelos, as atitudes
renovou os ares e atingiu a maioridade.

você estava com ele
você estava com ele
você estava com ele

A gente se encontrou uma noite
a neblina era densa e você estava sozinho
você e seus cigarros baratos
os ingressos perdidos, os amigos ordinários

você se separou dele
você se separou dele
você se separou dele

Chegou o dia daquela festa e eu te encontrei,
tinha um machucado nos lábios e levava ele
debaixo do seu abraço. E ainda sorriu pra mim
e disse que estavam felizes.

você voltou pra ele
você voltou pra ele
você voltou pra ele


E eu com um coração renovado no bolso
saí dali com uma lágrima presa pra não me denunciar
mordi minhas mãos até o pulso dilatar.

você você você

Você voltou para ele sem ao menos me reinventar.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

O Poeta e o mar.



Para Jacinto Fabio Corrêa

O caderno de Jacinto era antigo, vinha desde os primeiros anos e rabiscos. A capa era dura e aveludada, macia ao toque de mãos sensíveis. Lá havia muito mais que segredos, haviam paisagens fotografadas pelas pupilas do menino, telas pintadas pelas mãos do poeta, lembranças passadas à ferro quente e amores envelhecidos como vinho. Havia cenas de ação de seus super-heróis e as confissões mais reveladoras do coração de um homem.

Naquele caderno cabia sua vida, as curvas das estradas por onde caminhou, as pedras que lhe feriram os pés, as casas que teve, os amores que teve, os medos que teve, toda dor e todo gozo, a agonia e a esperança. Ali estavam retratos dos aniversários, da infância, da juventude confusa, sua beleza e sua feiúra. Seu pai, seu irmão, os assuntos proibidos, tudo cabia e existia ali.

Um dia, saiu o mar inteiro de dentro do caderno, barcos e andorinhas feitos de papel escrito, poemas. Os barcos eram aqueles poemas secretos, onde o poeta podia velejar sem medo em meio aos maremotos da vida afetiva. As andorinhas eram os poemas libertos que voariam pelo mundo com a permissão do poeta, desde que pousassem no coração daqueles que careciam de poesia, como eu. Daquele vôo, Jacinto só guardou a emoção do criar. E livrou-se rapidamente dos barcos. Ele queria mesmo era o mar.





Foto: Jackeline Nigri

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Curinga


José, tua fome é teu jogo
e eu não faço parte dele.
Desse emaranhado de crimes
e golpes, desses galopes
de quem trapaceia.
José esse teu sangue é fraco
e não me engana, teu jugo
é pesado e me atormenta.
Ah, José, você não vale
a loucura nem a sanidade.
Foge enquanto é tempo
senão pode cair na cilada
e não se dar conta de que jogo
melhor que você.
Não tente dar as cartas nessa
mesa que tu vai perder
Ah, José, pobre de você
Venci.



Foto: Heath Ledger

sábado, 2 de agosto de 2008

Porguestu

Eu não te chamei de vagabundo qualquer
e não falei da tua cara de criança boba.
Dessa tua mania de perder tempo na rua
e dessa boca que tem gosto de cerveja barata.

Corte de cabelo old-fashioned
dança uma música que causa desgosto
uma aparência meio coisa de circo.
E nada entende dessa existência fodida.

Fiquei muito feliz quando você
me excluiu da tua vida.

giomar

Por que carregar no teu peito uma faca afiada tamanha?
Qual a razão dessa agressividade?

Tu não passas de uma criança abandonada
querendo gritar.

Não deixa te calar por essa máscara que tanto
te desampara.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Plath.

O medo de ser meu próprio assassino
me espreita todas as madrugadas.
Queria ter a coragem daquela mulher
mas não devo me impressionar.
Eu posso até não ter equilíbrio
rapaz sensato eu nunca fui.
e vivo parcialmente essa vida
que sem B. não flui.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Tensão


Me deixo entrar nessa rinha
deitar na sua cama
massagear seu pés
beijar seus mamilos.

A saliva, descambada
me cobre,me banha
e se entranha
nos meus ouvidos.

Impossível manter-se firme
tocado pela faísca
embreagado pelo
gosto do seu umbigo

Derrama no colo
e lá eu bebo
me penetra nos poros
me reza,me ora

a liberdade é essa
torrencial

Agarrado à sua boca
sôfrego
hora do coito
me devora

explora,machuca
me faz sangrar.


Foto: Sex Book da Madonna.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Epifania


Eu acendi aquele cigarro
na noite fria.
Então vi minha vida.
Minha mão era de minha mãe
e todo meu gesto era de meu pai.
A fumaça era meu coração
desfazendo-se no limbo da sala
e a TV, como um farol, exibia
um drama qualquer.
A brasa, era o meu amor
e o cigarro era eu,
consumindo,
apagando.

Mea Culpa

Os olhos escuros de Caio
me dão medo.
São nebulosos e indecifráveis.
Fantasiados de uma inocência
arquetípica, quase criminosa.

Os olhos de Caio
são olhos de outono.
Caídos como folhas
de parreira, escuros
como as sementes das
uvas.

O mote exigia um adeus
ao menos um aceno exigia
E esses mesmos olhos
fecharam-se no momento
mais perigoso.

A minha bravura
exacerbada não
evitaria esse impasse.

Os laços romper-se-iam
tão logo o inverno chegasse.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Carta à um estranho de belos olhos.


"I had a vision of love
And it was all that you've given to me
I had a vision of love
And it was all that you turned out to be"
-Mariah Carey-

Olá,

É desafiante escrever uma carta à um total estranho, mesmo que você me pareça tão familiar devido à todo esse tempo que a gente se encara. Eu até pensei em falar com você pessoalmente mas achei que talvez não fosse o apropriado, nem sei se irei te entregar isso, mas vida é feita de riscos e quero correr esse. Não que eu espere alguma resposta objetiva de imediato mas você deve se perguntar o porquê de eu te encarar tanto sem nunca termos trocado uma só palavra. Na quinta - feira, quando te flagrei me observando, finalmente me senti retribuído em algo por você. Eu tenho uma natureza ousada que me coloca sempre em encrencas, mas adoro correr riscos já avisei, então agora estou escrevendo essa carta, que chegará às suas mãos hoje, é fato, já não tenho mais dúvidas como mentira ter na terceira linha. Eu sei o seu nome, mas não me sinto no direito de escrevê-lo afinal não fomos apresentados formalmente e tenho um lado muito conservador quando o assunto é educação. Bem, vamos ao que interessa.
A verdade, é que é preciso muita coragem pra dizer isso, é que eu gosto de você, gosto e ponto, uma coisa platônica dessas que nada tem a ver com razões, que descambou num belo dia que te vi passar concentrado numa conversa. Sei que começou à bastante tempo. Viu como sou corajoso? Há de convir que é preciso muita coragem pra dizer isso assim mas achei justo comigo poder te dizer isso sem medo. Acredito que você seja uma pessoa romântica, quem gosta de Vision of Love com certeza é uma pessoa romântica, por tal sei que você entenderá meu pequeno ato de bravura.
Fica no papel meu desejo de um dia te falar abertamente, mesmo que, com muito medo que o desfecho não repita a mágica de escrever esta carta.

Sinceramente,

H.





Elefante de mármore.

Porcelana são teus olhos
a parte branca e singela deles.
Negros de noite
límpidos de lágrima constante.
Acarinhados, medíocres,
e teu peso tão alerdado
pela vida. E tuas sombras
amigas são de barro.

Te aquieta, que nessa
posição que tu assumes
de nada adianta agitação.

Sem jeito, não me olha
envergonhado de tanto
comer na minha mão.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Debaixo dos panos


Entregue-se à paixão e à todo seu desespero.
Liberte os animais rastejantes que te pertencem.
Debata-se perante a terra crua
que te inunda os poros.

Arrebate os seres machos que te secam.
Engula as sanguessugas que te beijam.
Domine as bestas que te alucinam
e te deixam em estado de excitação.

Decifre o código que te tatuaram a pele
e abra caminhos para os novos desavisados.
Deixe que bebam essa água
que te chove as pernas.

Corra pela rua, astuto como cão vira-lata
e destemido como ladrão de jóias.
Sonhe a boca úmida de quem te persegue.

Não fuja da tua obrigação.
É a tua própria essência quem te corrompe.
Cometa um crime meu caro, cometa um crime.



Foto: Sex Book da Madonna

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Anotação sobre o platônico desejo.

Uma coisa muito de repente. Assim, do nada. Um dia comum da minha vida universitária. Não era um dia bonito; um calor desgraçado e o céu nublado de chuva encubada, eu estava irritado com toda desordem das coisas, desatento e descompassado e ainda assim eu o vi passar. R. passou, e eu não pude mais me concentrar noutra coisa senão nele, no corpo dele, nos gestos dele. R. passou com três meninas que eu nunca tinha visto ou percebido, meu Deus de onde saíram aquelas pessoas? Todos os dias chego neste prédio, rompo seus corredores, beijo seus bebedouros, penetro em suas salas e ainda assim nunca tinha visto nem R. nem suas amigas passarem sequer longe de mim. Depois do instante que notei sua existência todos os dias foram para saber quem era ele; olhando sala por sala, verificando aglomerações, até que o vi entrando no laboratório da Biologia. Bem, descobri qual curso ele fazia, entrei e me acomodei no fundo da sala sem ser notado, na chamada ouvi seu nome e vi sua mão levantar-se devagar e suavemente. Saí de lá me sentindo vitorioso só por ter descoberto o nome daquele que me despertou tanta coisa. Ah, vida. Eu quero beijar sua boca R. Abri-la como uma flor de papoula, molhá-la com minha saliva imperecível. R. que nunca me olha, nunca me vê passar. Eu quero um encontro furtivo no banheiro do 2º andar, quero acompanhar tuas aulas e saber da tua raça. Ah, R. que coisa é essa que você me causou tão de repente? Que nervosismo quando tu me ignoras. Que desespero se eu não te ver uma vez ao menos por dia. R. que vontade de gritar teu nome nas Letras, na Matemática e na tua Biologia. Eu te quero R. R de raiz, R de raiva, R de rapaz. Eu te quero R.
Pelo menos me veja passar no corredor um dia desses. Pelo menos me perceba de repente.

domingo, 8 de junho de 2008

Soneto Cintilante


E quando você fazia amor comigo
e o suor escorria leve nos meus olhos
eu nem me cabia em mim mesmo
eu nem sabia o propósito.

E na hora que você fazia amor comigo
eu rezava uma oração inventada
uma pequena estrofe rimada
e nada parecia pecado.

O meu coração desfalecia
Alguma coisa no meu peito verberava
E outra se encontrava semelhante.

Quando você fazia amor comigo
Meu corpo todo se entregava.
Você apenas preenchia, latejante.

Silêncio

Quando te perguntei quem era João

falou em passado
em viagens que não fez
e disse detestar São Paulo.

Quando te perguntei quem era Daniel.

sorriu
e me falou do partido político
fizemos contas
e colamos panfletos nos postes da São José.

Quando te perguntei quem era Igor

não me olhou nos olhos por 20 minutos
demorou no banho
e saiu mais cedo pro trabalho.

Quando te perguntei quem eu era.

ficou em silêncio.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Escorpião


Não te cansa dessa brincadeira de gato e rato, rapaz?
Não te cansa dessa atitude desordeira?

Que atitude de macho é essa rapaz?
Só pode ser brincadeira.
Tentar tirar minha calça na praça não pode rapaz.
O que as crianças vão pensar?

Esse mundo vagabundo pode não compreender.

Te manca rapaz.
Não sou fácil como esperas
e se tenho uma pressa que todo me incendeia
é porque quanto mais rápido, mais se espera.

Eu corro na beira do que não nos acomete
sempre preparado pra calamidades.

Você diz que também gosta de meninas.
Eu adoro dualidades.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Terreno Baldio


Estou encostado no canto do quarto. Você relaxa. Tenho um lado de bicho carente nessas horas. Você começa a se vestir. Fica aqui esta noite. Você fecha o zíper da calça. Divide um cigarro comigo. Coloca os sapatos. Tem muita coisa em jogo. A carteira tá em cima da mesa. Roubei uma 3x4 sua. Pega a camisa ali na cadeira. Acho que to gostando de você pra valer. Não esqueça o chapéu. Não esqueça de mim. Tem muita coisa em jogo já disse. Bom fim de noite. Te telefono dia desses. Você cruzou a esquina. Vou me lavar.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Body Language


Nessas noites que teu respirar
dorme junto ao meu
os vizinhos se perguntam
o porquê de tantos gritos.

Os vira-latas se assanham
os gatos se arranham
e a lua se acanha
e a liberdade acontece.

Pacto de delírio entre
teu corpo e o meu.
Frestas, arestas
e calcanhares nos ombros.

O tempo é de cio
e a gente obedece.




Foto: Madonna no Sex Book

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Corisco


Tomamos ônibus distintos
ruas que não se cruzam
tudo parece desencontro
mas não é.

Eu falo alto
e sou politicamente incorreto.
Você permanece quieto
e respeita os mais velhos.

Sou aquariano
distraído, desastrado.
Você como um
bom libriano é cheio de cuidados.

Gosto da madrugada
você prefere o meio-dia.
Enfrento terríveis tempestades
você foge de simples ventanias.

Qualquer cartomante de praça
veria perigo na nossa união.
Mas não. Ninguém previu a explosão.




Arte de Marc Chagall

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sonhos de cartolina


Ao amigo George, menino sozinho como eu.
Era um menino que gostava da
sala completamente vazia.

Era um menino que sonhava
em ser herói
com justiça
um menino que fantasiava
aquilo que não
conseguia assimilar.

Sentia o peso da vida sem irmão
sem primo perto
sem saber ao certo
quando teria amiguinhos
sem ver o pai chegar do trabalho
envolto na sua colcha de retalhos
esperava só pela mãe.

Era um menino sonhador.
Seria um príncipe
apareceria na TV
iria à Disney
navegaria num submarino.

Era um menino que se
acostumaria facilmente à dor derradeira
sem ainda saber que seria
um sonhador a vida inteira.

sábado, 12 de abril de 2008

Matinal


E é hoje,nos seus braços
que me descubro novamente menino
meio medroso
meio apático
um tanto libertino
e ainda assim um menino
E é hoje,na sua cama
que eu vi me desbravarem os meses
da gestação
vi que minha mãe estava pronta
pra me conceber
e que,quando eu tava prestes a nascer
ela me amou com uma luminosidade
de doer as vistas.
É hoje,entre tuas pernas que vi o sol nascer
como não havia visto nem na infância
e vi nascerem sonhos meus
como batata na terra
árida e cheia de esperança.
É hoje, deitado no teu tronco
que vi as frutas caindo
na cesta mais trançada
e vi a fonte de água pura pra beber.

E é hoje que meio moleque corri
pela rua, quis ser passarinho
ou gato ladrão.

E hoje desejo
lhe percorrer todos os caminhos
pulando da ponte
nadando no rio.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Vesti preto e fui à praia


Vesti preto e fui à praia. Sem medo que me achassem louco, punk ou cafona. Vesti preto e fui à praia porque estou de luto. Nosso amor morreu, mas quem ainda agoniza sou eu. Peguei aquela caixa marajoara que compramos em Parati e enchi de fotos, cartas, guardanapos e lembrancinhas de viagens. Comprei um pacote de velas, mas só levei três. Uma por mim, uma por ti e uma por nós. Vesti o terno preto para ocasiões especiais, mas sem camisa por baixo. Quis ir de peito aberto.

Acendi as velas, me aproximei do mar, molhei os pés e rezei. Caminhei até o alto da pedra e de lá arremessei a caixa. Se pudesse, meu coração iria com ela. Até que eu pudesse comprar um novinho em folha.

Assisti lentamente a maré de março engolir nossos pertences, torcendo para que ela engolisse também essa dor de uma vez. De lá, eu observava as velas acesas que nem vento ou mar conseguiam apagar. Tenho tanto medo que a chama do amor seja insistente como a chama das velas. Eu mesmo as apaguei em seguida, enterrando-as na areia. De nada valeria esperar pelo tempo, aquilo só dependia de mim.

Segui para a casa com a consciência tranqüila. Havia me despedido gentilmente do sentimento que nos unia. Esse amor tava doente demais e merecia uma morte digna. Parece crueldade, mas não é. É libertação. Antes de cruzar a esquina de casa, eu já havia me perdoado. De luto, e finalmente em paz.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Na enseada - um táxi para Botafogo



"-Taxi! -Boa noite, Praia de botafogo, por favor!
-Senhor, são uma e vinte da manhã. É perigoso lá.
-Não faz mal,só trago comigo minha bagagem emocional."

Foi bom te encontrar
te colocar na minha vida
ser aquele quem eu amo
e as luzes da cidade
agora iluminam um por um
os meus enganos.

A noite na cidade
leva pelos ares
as minhas novas dores
o vento em sete cores
de novo,a velha saudade

E sempre será assim
Nós juntos e ao mesmo separados
e sempre a bússola velha
me levando à zona sul.

Botafogo,o mar gelado
alma minha retalhada
Amor de garotos perdidos
uma vida em comum não encontrada

Luzes cariocas
e os beijos solitários
um amor escuro e só
e nós dois
sempre fora de horário.

sábado, 5 de abril de 2008

Suspense II


I

Um novo amor está pra chegar
e eu tenho medo.
Pássaros agitados, suor na mão
e eu caio,literalmente
num nervosismo
que me assalta
toda calmaria e sossego.
Um novo amor está pra chegar
e que não seja passageiro.

II

Um novo amor está chegando
Tons da aurora
invadem o quarto.

III

Quando esse novo amor
estava chegando
fiquei ansioso
no meio da tarde.
Saltei penhascos
li sonetos e brinquei
de bem-me-quer
nas rosas.

IV

Na porta do edifício
esperar é difícil.

V

Quando esse novo amor chegou
eu estava perfumado e tenso.
Pôs a mão no meu ombro
e com muita calma
me abraçou.
Ele chegou
e eu o recebi.

VI

Da poltrona do cinema
ele foi direto para meus poemas.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Percurso


Prendi o sapato no bueiro
porque bebi além da conta.
E o destino me castiga
logo me apronta.

Sou um rapaz assustado e louco
que de tudo quer um pouco
mas de nada tira proveito.

Rimbaud estaria rindo de mim
se visse essa cena.
Meio piegas e sem nenhuma valia.

Um rapaz tolo com alma vadia.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Para o Bruno



Eu não consegui te esquecer
e há muitos dias te quero rever
ando criando coragem pra te procurar
e quando eu convidá-lo
apenas aceite,é o que peço
irei aonde for
irei à Bonsucesso.

E quando nos encontramos
e eu olhar dentro dos seus olhos castanhos
relembrarei todos os enganos
e todos os erros que cometi com você.

Eu o levarei aos lugares de sempre
o mesmo parque,o mesmo cinema
e lá pelas tantas
nós dois de mãos dadas
pela Senador Dantas
relembrarei todos os
bons momentos que tive com você.

Eu não poderia, não mais esquecer
E quando sentarmos e pedirmos
o jantar.
Aceitei que eu te entregue
o caderno com todos os poemas
que escrevi pra você.
E nunca mais pense que eu consegui te esquecer.

E na hora que estiver em meus braços
em que eu possa sentir os seus lábios rosados
não mais acredite que eu consegui te esquecer.



domingo, 9 de março de 2008

Forbbiden Love

Quem esse cara pensa que é?

Me acorda às 8 da manhã com um telefonema,um convite
Escolhe o que devo vestir e que horas devo sair e decide
a cor da minha underwear.

Quem ele pensa que é?

Me faz correr pela rua pra não me atrasar
e me faz ficar 2 horas dentro de ônibus para a Barra da Tijuca
me olhando no espelho para chegar lá com a melhor aparência.

Who does he thinks he is?

Me recebe com pouca roupa e um avental sujo de molho de tomate
me coloca contra a parede da cozinha e me passa molho na nuca
e as mãos sujas de farinha,me percorrem o corpo.

Quem, diabos, ele pensa que é?

Me deixa tão livre no quarto.
Sob os lençóis ilumina meus corredores
e tudo que meu corpo absorve,fica e eleva.
Quero tudo - eu disse
Terá - ele disse

What the hell does he think he is?

Depois de me sorver em cada ínfimo centímetro
e pingar gotas do viciante desejo.
Ele me comunica que vai se mudar para o outro lado do país.

Só mesmo sendo tão perfeito pra não poder ser meu.

sábado, 8 de março de 2008

Pausa dramática


Eu estou entrando novamente em território minado, no terreno proibido. Estou abrindo a porta,o caminho parece ainda mais bonito: flores por toda relva e árvores carregadas de frutos, o sol brilha tanto quanto o sorriso dele, mas o cheiro de Hiroshima devastada ainda permanece.

Será a hora de deixar os velhos medos e enfrentá-lo? Olhar nos olhos negros, negros como a escuridão que me tomou a alma. Só os que amam mais que a própria vida conseguem me entender e são esses que farão o meu cortejo caso eu morra por amar sem medo.
Eu sinto estou enlouquecendo de verdade. O amor é, certamente, a doença terrível que há de me consumir até o fim.

Chegado o momento de decisão. Fujo enquanto é tempo, ou deixo a bomba detonar?





Arte de Salvador Dali

terça-feira, 4 de março de 2008

Ritmo de quinta.

Você trazia em si o leão rei
que eu tanto admirava.
Vivíamos de praia, libertinagem
e confissões nas longas caminhadas.

Meses passados te vejo
com a infelicidade exposta
cruelmente na face.
Aquele cara te destruiu
justo você,que era rei.

Senti uma satisfação criminosa
mas, protegida por lei.

segunda-feira, 3 de março de 2008

De tarde



No caminho de volta,no ônibus
sonhando acordado
com aqueles olhos miúdos
com o sorriso confuso
daquele menino.

Uma sensação louca
nos conduzia.
O corpo dele,território suspeito
o suor escorria
pela janela da Barra
calando a boca
com a língua doce
beija a tarde
e arde.

menino da Barra
me muda os ares
e me leva pro céu
com tudo de bom.

Depois,só me resta o pôr-do-sol
no trânsito confuso
do Leblon.


domingo, 2 de março de 2008

Sina

Bata na porta agora
estou à espera.

O amor que eu sinto
me manteve quieto
e a fé que persisto
me deteve de pé.

A sua presença definirá o futuro...

sábado, 1 de março de 2008

Apartamento

Leva contigo estes pratos,
já não me interessa cozinhar.
Mas deixa comigo os talheres sujos
com o gosto do nosso último jantar.

Leva contigo as cortinas caras,
essas estampas já não tem charme.
E deixa pra mim o sofá-cama
com cheiro de filme da sessão da tarde.

Leva contigo o relógio da copa,
o tempo já não vai passar
mas deixa as velas da mesa,
perfume de último jantar.

Leva contigo a cama de casal
que me sobre apenas o solitário átrio.
Leva também minha angústia
que está bem escondida no armário.



Arte de Van Gogh

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Lúdico


Que loucura é essa
que gente resolveu delirar?
Que território minado é esse
que a gente resolveu penetrar?

Que cama macia é essa
que a gente resolveu se deitar?
Que tesão louco é esse
que a gente não conseguiu segurar?

Que corpo é esse
que não consigo deixar?
Que beijo é esse
que me faz levitar?

E que será de nós
se nem os sobrenomes
pensamos em perguntar
E nem as profissões
soubemos explicar
E nem pelo futuro
soubemos rezar.

E o que será de nós
que nem à maresia
fomos passear,
que nem fotografia
podemos tirar.

E que paixão é essa
que só faz atormentar?
Que conhaque esse
que não me faz embebedar?
Que cigarro é esse
que não me faz alucinar?

E que despedida é essa
banhada ao luar?
E que saudade é essa
que me faz gritar?

E que já sabíamos
Não poderia durar.
Não deveria durar.

A gente simplesmente não servia
pra ser casal.


Arte de R. Perez

domingo, 17 de fevereiro de 2008

My own summer


Underwear vermelha, anel de prata, pólo preta, calça xadrez, all star branco e fogo no olhar. Me preparo para a night querendo demolir. As intenções são cruéis e claras. Estou pronto para incendiar quem por mim passar.

Um encontro às escuras na boate mais decadente da cidade não é minha idéia de perfeita noite de sábado, mas um rapaz como eu não hesita diante das combinações improváveis. Quero deitar na calçada à luz da lua. Tenho fogo all over my body. Estou diposto à tudo. I want it all.

Chego ao local procurando um sujeito gótico. Olhos e unhas pintados de preto, um aprendiz de Brandon Lee, um vampiro, que Lestat me possua esta noite.
Um rapaz hardcore se aproxima. É ele e não me assusta.

Horas e horas de músicas alucinógenas, muitas doses de tequila e ele me acende um Gudan Garam. Neste momento permito que beba meu sangue e arranhe minha pele. Tenho febre ao som de Elvis cantando Fever.

Um desfecho sexual à altura da noite. Sinistro e impressionante como era de se esperar.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Clandestino

Ele não sabe que estou sempre por perto,
que em suas festas manipulo sua bebida
que me arqueio nas esquinas
e o percorro nas avenidas.

Ele nem desconfia que o ajudo à
arrumar o cabelo. Que acendo insenso
em seu quarto,e que escuto calado
quando chama meu nome de madrugada.

Mas ele grita, pede auxílio
e sou eu quem chama os bombeiros
e ele, perdido nesse meio
Nem desconfia que sou eu quem o incendeia.

Definivamente faço parte de seu tempo
é tão gostoso estar impregnado
que nem eu mesmo aguento

carregar esse meu fardo.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Obsessivo


Chega um ponto que nada mais importa senão a falta.
quatro maços de cigarro por dia
uma úlcera nervosa
tremedeiras na fila do mercado
e lágrimas durante toda a noite.
Se um médico me examinasse
diagnosticaria como sem solução.
Decido reagir e sair
mas soa falso.
Toca telefone,toca.
Nenhum e-mail novo.
Minha alma já está torta.

Só mesmo eu pra fazer registro poético do meu
desespero.
A roupa pra lavar,contas à pagar
e eu pensando naquele imbecil.
Quanta tolice, que obsessão.
Quem desenvolveu as técnicas de torturas
nazistas pesquisou fundo entre os apaixonados.

Eu me odeio
Eu o odeio

Mentira, só sei sentir amor

Sabe todos os indícios de que aquilo te fará mal?
Que você estará chorando no elevador no meio do dia?
Mas você ignora a ordem de perigo
e abre o pacote.

Pronto, tá perdido.

Eu tatuei no peito a palavra obsessivo

então fui beber com os amigos.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Sexta-feira


só falta achar um anel
e estarei pronto pra te pegar
me vesti todo de preto
o corpo todo em alerta

você está dez minutos atrasado
a ansiedade me corrói
desceu,apareceu
horas e horas de espera

gosto dos seus piercings
da boca
dessas expressões
dos seus mamilos
sob a camisa

te levei no japonês perto da praia
comemos sushi e
bebemos vinho branco 1982
mas o melhor eu sei
virá depois.

nos beijamos em São Francisco
de frente para as luzes do Rio
fomos para sua casa andando
seus pais estavam viajando

você me beija
eu sinto o sal da tua pele
na minha
eu te beijo
e a gente faz amor na cozinha.

de manhã,eu me visto
e você me acompanha até o ponto
amanhã te telefono
e marcamos novo encontro.


Arte de Judi Bagnato

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

A Escrita


Não sei exatamente o dia que começou. E espero sinceramente que nunca pare. Não sei porque comecei à escrever, se é que pode existir tal explicação. Lembro-me apenas que estava amando, e num certo dia algum olhar ou gesto desencadeou tudo, e foi ali que o primeiro verso surgiu. Faz apenas dois anos que comecei, e não sei se faço bem, acho nunca será bom o bastante, mas há um bem nisso tudo – o bem que escrever me faz. Quando alguém lê e gosta, me encho de alegria assim como críticas me ajudam, mas ainda que não tivesse coragem de compartilhar o bem seria o mesmo.

Quem escreve sabe bem como independe da nossa vontade, que independe de qualquer coisa.
Se bem que minha escrita é na verdade apenas memória, e só tem essa pretensão, porque ela só existe naquilo que vivo. As lembranças de um passado perfeito, a impressão do presente, a cidade que nasci e tanto amo, as paixões que por mim passaram, as bombas nucleares que explodiram no meu coração. Tudo acaba na minha escrita, porque ela é a maior e mais lúcida que todas minhas emoções juntas.

Sobretudo escrever é pra mim, reciclar-me de todos os fatos que povoam meu cotidiano e também de mim mesmo. É a maneira mais íntima de expressar meu âmago, confuso e apaixonado como ele só.

E por último, e não menos importante eu escrevo para existir. Porque a realidade é, por muitas vezes, desinteressante demais para alguém que ama emoção como eu. Escrevo porque em todos os dias eu quero amar, quero sofrer, quero sentir saudade, quero odiar e nem sempre a luta cotidiana me permite. É por isso que me permito escrever.

Finito

Quanto sentimento meu pode caber num poema?
Quanto de ti cabe em mim?
Quanta saudade cabe aqui enquanto escrevo?
A matemática exata ignora o infinito.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pedaços Meus


Deixei pedaços meus
espalhados nos cantos do seu quarto
bem ajustados
nas frestas do assoalho.
Deixei pedaços meus
no seu baralho.

Tem pedaços meus no
seu caderno da escola,
tem pedaços meus naquela
velha vitrola
onde ouvíamos
jazz e bossa nova.

Tem pedaços meus
nas sementes do seu colar
nos botões da sua bata
nas ondas do seu mar.

Tem pedaços meus
nos novos rapazes
que tu beijas
E de tanto querer me esquecer
mais você me almeja.

E quando encontrá-los
não pense que está louco
tem muito mais pedaços meus
tatuados no teu corpo.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Supermercado


Tem dias que
te odeio tanto
que até me espanto
com minha lucidez

E tem dias que
só a saudade tem vez
aí desejo e desejo
te ver passar na rua
vestindo o casaco xadrez

Tem dias que vem tudo
de uma vez só à cabeça
que nos gostávamos
que nós brigávamos
minha boca na sua
que fui abandonado

Nesses dias eu compro vinho
e aperitivos no mercado.



Foto: Chris Kirkpatrick

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Na areia,no mar e o beijo oriental.



Era a primeira semana de Janeiro. O cenário não poderia ser outro: Ipanema - aquele trecho de areia em frente à rua Farme de Amoedo esquina com o paraíso. Estava com meu amigo Magno torrando no sol de 42º quando decidimos nos refrescar. E sem perceber, no vai-e-vem das ondas nos vimos no meio de uma turma de gringos. Meninas simpáticas e meninos bonitos. Meu amigo logo caiu de amores por um tal Chandler: loiro-americano-charmoso de Chicago. Quem havia de fato chamado minha atenção era o único oriental da trupe globalizada. Seu nome era Manato, tinha olhos negros, incisivos ligeiramente arcados e um papo bastante ocidental.

A tarde voou como que levada pelo vento. Enquanto meu amigo vivia seu “American Dream” eu lapidava aquele diamante do oriente. Ele gostava muito de viajar – era a 3ª vez no Rio, adorava a culinária da Indonésia e passaria o próximo fim de semana em Sampa. O beijo era gostoso. Rapidamente me acostumei àquela boca pequena e tímida – os brasileiros são sempre mais rudes - tinha as mãos ásperas do rapel que praticara um dia antes no morro da Urca.Aquele dia se tornara inesquecível, toda penetração em uma cultura tão distinta carimbava o ínicio do meu verão.

Ao pôr-do-sol despedimo-nos, ele me prometera todas as alvoradas de Tókyo e eu apenas lhe permiti um lugar na memória. Voltei pra casa leve, carregado pela brisa. Naquele dia eu tinha acordado com uma baita vontade de me apaixonar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Pequeno drama.

Conheço todos os crimes que você comete
e sei bem das pestes que me acometem.

Sei bem que você faz do amor um jogo imobiliário
Quem pode, compra.
Quem ama põe à venda.

Sei bem que você gosta de ser desonesto
mente, trai, engana
mas no fim,sou eu quem não presto.

Sei bem que você achou justo
me pôr pra escanteio
e que pensa que me faço de vítima
e que sofro de devaneios.

Ando muito dramátrico
é verdade.

Mas fingir que te perdôo
nem por vaidade.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Angustiado


A noite está tensa
o champagne está quente.
Sobrou daquela festa
que você não quis vir.

Tem muito de você
na minha roupa, no meu jeans
tem muitas fotos nossas
espalhadas no jardim.

Tem aquele cigarro
cujo cheiro você não suporta
Tem a angústia ilícita
de te ver saindo pela porta.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

A Guerra Mundial do meu eu.


As minhas mãos estão muito inquietas hoje. Eu quero telefonar pra você. Não sei o porquê, mas quero. E não entendo esse querer já que simplesmente não suportaria saber da sua vida.
Eu amo você – eis a maior das verdades. Muito fácil pra eu dizer - uma frase simples, toda implícita nos nossos últimos telefonemas e nas nossas últimas conversas no Messenger.

Eu venho tentando buscar um rumo, tentando proteger o coração. Está sendo uma batalha árdua. Eu acabo sempre lembrando do seu sorriso, no final do dia. Não faz mal, já estou acostumado. Você era o menino mais bonito do mundo pra mim. Você era aquele feixe de luz do sol que entra no quarto de manhã. Mas isso é passado, foi você quem me transformou no que sou hoje: um ser que chora andando pela rua sem destino certo. Percebi que estou aprendendo a não te procurar - essas são as provas de fogo: esquecer seu telefone e virar o rosto quando o ônibus passar pela sua vizinhança. Tudo para recuperar o sorriso que eu só tive em meu rosto antes do dia que te encontrei.

Mesmo com todo esse armamento, às vezes as lembranças me cercam – sou Pearl Harbor e elas me bombardeiam: mãos–dadas, seus olhos, ccbb, balas valda, Copacabana. Mas eu não desabo.

Sei que vai chegar o dia em que erguerei bem alto uma bandeira branca pra provar que finalmente há Paz em meu coração. E nesse dia nos esbarraremos na rua sem vontade alguma de nos combater. Mas só depois de muitas batalhas.

Tanta guerra, tanta dor afinal. E tudo que eu queria era segurar sua mão e passear com você.






Arte de Marc Chagall

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A Marca

Para Larissa Kochem

Ela tem no corpo o desenho de dragão
Ela tem a marca do dragão
A tatuagem que marca
as cruéis mulheres
que ousaram mudar o mundo
Ela é uma delas.
Ela tem princípio e fim
e traz em seu meio
a solução que pode, enfim
nos libertar.
Ela tem na boca
as ordens que regem a nova humanidade
ela tem unanimidade
no assunto violação.
Ela tem dentro do corpo
um dragão
uma fogueira
uma paixão
Labaredas,tentação
Ela é o próprio dragão
detentora de toda
forma de destruição.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Póstumo

Indescritível o pesar
a propagação
a delícia da sensação
Nem tudo que chove é chuva
mas me deixa molhado
trepidando,amor de recomeço.
silêncio de reconforto,
brincando com o gozo na ponta dos dedos

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Alma Tenaz

O inventário de dores da gente
vai crescendo com o passar do tempo.
Há um tempo atrás eu era forte e
resistente,vivendo.

A lista de amores da gente
vai crescendo com passar do tempo
e o coração vai se queimando
aos poucos,doendo.

As feridas na alma da gente
vão inflamando com passar do tempo
vão ficando expostas
e sangram,ardendo.

A alma da gente vai se esvaindo
com o passar do tempo
e vai se equilibrando fraca entre a fé
e o sofrer.
Por que?
Só a alma quer viver.




Arte de Marc Chagall

domingo, 16 de dezembro de 2007

Correspondência


Asy,

A situação está ficando feia, não quero mais esses vexames em público, nem baixaria na frente dos demais, não precisamos disso. Será que você não entende que isso só deixa mais claro o quanto ainda nos queremos?
Eu nem ligo se você me chama de babaca ou sacana. E se ao invés de me chamar pelo nome prefere me chamar de fulano. Não me sinto ofendido, é tão bom saber que te incomodo. Sabia que o contrário do amor não é a raiva? Não meu bem, é a indiferença e essa passa bem longe quando a gente se esbarra.
Eu te incomodo que eu sei, mas não se ofenda. Você me incomoda também. E seria muito injusto que isso não acontecesse, seria triste te esquecer assim, prefiro você sendo sempre a pedrinha que incomoda meu sapato do que a que eu chutaria longe sem nem perceber. Quando você me chama de babaca, lembro sempre de quando me chamava de meu amor. Você, que adorava me tirar do sério com suas brincadeiras bobas hoje me tira do sério até quando passa do outro lado da Amaral Peixoto.
Ah, se você soubesse que eu preferia que tudo fosse diferente só que já é tão tarde. O respeito entre nós já escorreu pelo ralo. Já foi jogado na Baía da Guanabara que tanto nos viu beijar.
Chega a ser cafona ficar lembrando de como a gente se dava bem,não?
É querido, fica sua que eu fico na minha. Não há porque invadir espaços e trocar ofensas. O quê essa cidade não precisa é de mais gente brigando.
Vá viver sua vida.
Um beijo na alma e fica com Deus.

Hudson


Arte de Marilyng Manson

sábado, 15 de dezembro de 2007

Roupa Suja


Tinha que terminar assim, Asy?
com tanta baixaria
os relógios fora do horário
você bêbado
e eu deseperado.
Precisava ser assim, Asy?
com tanta gente comentando
o mundo tava confuso
mas a gente nem tava brigando.
Eu devia ter te queimado com
o cigarro
e jogado vinho na sua cara
manchado sua bata favorita.
Nem tive tempo de fazer
aquela geléia de amora,
nem realizamos aquela fantasia,
a mais lasciva de todas.
De repente,tudo ficou complicado

Eu devia ter percebido
que algo estava errado.



Arte de Tom Wesselmann

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Crime

Despertou em mim o bicho doido e perigoso.
que eu não consigo dominar,
e nem você consegue domar.
Abriu a jaula para essa besta interior que me alucina
me encheu de ódio e anarquia
para que o animal indomável
te amasse perdidamente.
Despertou em mim a planta carnívora
o jardim dos horrores
a cidade perdida.
Iluminou tudo lá dentro
riscou fósforo no vulcão adormecido.
Como se o pecado fosse só meu
calçou suas botas sujas na soleira
e permitiu que eu queimasse sozinho
feito bruxa condenada à fogueira.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Regra


me ama no dia que eu estiver feio
e acordar sem vontade de ter um bom dia
me ama naquela hora que eu me sentir fracassado
quando tudo tiver dado errado
quando tudo tiver sido infâme
e eu só precisar que você ame.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Multi-uso

Você logo vai perceber que não sou exatamente o quê aparento.
Vai perceber e vai gostar dos muitos lados do meu difícil temperamento.
Vai entender que eu me protejo e uso máscaras rudes contra a fraqueza covarde que o amor me causa.
Vai gostar de conhecer-me pelo avesso, de alma, pelos cabelos, vai
se lambuzar nas minhas redes sem arrependimento algum de exagerar.
Vai ver que estou sempre afim de rodar o mundo e me jogar nas cidades e vai querer ficar comigo porque sou cheiroso, gosto de banho à dois e tenho muitos poucos pudores.
Entenda, não tema, você já está quase entrando no clima desse cosmo exacerbado que eu contenho.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Soneto IV

Amado, aceite sim este soneto
que lhe escrevi neste domingo
Chove tanto, mas dentro estou seco
A umidade sua não está comigo

Aceite todos os poemas livres
que escrevi tendo ti à vista
E que eu toque teu peito simples
com a minha mão de artista

Chuva banha as samambaias
Árvores, pedras, cogumelos
Cachoeira no olhar, eu choro

Nada compara, vida digna, gandaia
À solidão do rompido elo
Minha mão estendida, eu choro.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Arpoador


Arpoador

tem dor no nome

tem dor na areia

tem dor na pedra

e toda beleza

da praia

que me espera.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Jardim das Orquídeas


quatro horas da tarde,primavera
eu caminhava com Bruno pelo jardim
poucos pássaros à nos observar
haviam orquídeas, violetas
e margaridas.
Por que um jardim tão florido
se minha dor é tão imensa?
- Só faltava um livro aqui - eu lhe disse
Ele nada respondeu
e eu tentando desvendar o que havia
por trás daqueles olhos negros
as flores caíam,a tarde estava tão bela
e a minha dor continuava imensa
e minha atenção imersa
nos olhos negros dele.
Aquele jardim era nosso Éden
cheio de culpa e pecado
e minha dor eram as pétalas
caindo por todos os lados.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Breve sofrer


acordei me sentindo fraco
com o peito cansado
ainda bem que hoje chove
e estou de folga
podendo ficar à deriva
dos pensamentos

é quase que um questão de honra
suportar o peso
do ressentimento.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Poético


O amor que sinto por ti
é frágil como uma pétala
e leve como uma pena

quem dera
que fosse assim
mas não

o amor que sinto por ti
é tenaz como uma rocha
e reluzente como incêndio
visto do céu

o amor que sinto por ti existe
porque coexiste à mim.



terça-feira, 27 de novembro de 2007

Melodramático


Eu sou do tipo que chora com facilidade
Não sou forte quando o assunto é sentir
Qualquer um no meu lugar já teria esquecido,
já estaria pela cidade,tranqüilo e fullgás.

Eu pago pra ver o que não quero
Tortura consentida
Meu inquisidor está constantemente
do outro lado do espelho

- Eu já o esqueci – diria qualquer um
no meu lugar.
Pode achar que é besteira,
feitiço, falta de fé ou fome
mas meu drama tem nome,
endereço e telefone
Arte de Tom Wesselmann

sábado, 24 de novembro de 2007

No embalo dessa festa

Surgiu no meio de uma festa, nos vimos
Inesperado
Nos beijamos, sem nos conhecer
Alcoolizados
Nos tornamos amigos, falamos ao telefone
Civilizados
Marcamos cinema, mas fomos pra cama
Despudorados

Continuamos amigos e civilizados

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Soneto III


Não sei se foi meu bem ou meu mal
Mas amei muito neste tempo
E de tanto provar sua pele, seu sal
Palavras se foram ao vento

Dediquei-lhe todos meus poemas
Minha vida girou à teus planos
E por acreditar que valesse a pena
Esvaiu-se o frescor de meus vinte anos

E, ao que rápido o tempo passa
Delicado meu amor, meu bem, Bruno
Todo trajeto, percurso, condição

Febre alta, agressiva e deliberada
Paixão, respirar por um ser único
A escolha de viver a inquietação.

domingo, 11 de novembro de 2007

Pensamento Nós


Me abraça
e nesse abraço demore
me cobre
de carícias
de malícias
de prosas
Não fuja,me cubra
de beijos
me conte os seus desejos
faz de mim seu gênio
eu realizo
faço mágica na nossa vida
me inclina
logo ali na nossa esquina
para que os cruzamentos
tenham apenas um sentido
o nosso sentido
de tudo que foi sentido
de tudo que foi tocado
Me bole
e logo depois me engole
para que não hajam dúvidas
para que nossa prole sejam
as realizações
as perseguições dos medos
a captura e execução dos mesmos
mexe comigo
mexe no meu umbigo
mexe no meu eu
desfaça meus nós
e que todos meus pontos e rendas
possam ser seus.
para que o eu
e o você
seja o nós.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Café da manhã

Meu rosto brilha firme no espelho. A noite bem dormida mostra efeitos miraculosos nunca antes provocados por cosmético algum. Admiro seu corpo relaxado sobre a cama onde nos ungimos casal. Caminho com calma para não acordá-lo, afinal necessito dele descansado para o dia que planejei, e me contento em acordar mais cedo para ajeitar o mundo que ele encontrará após o banho onde lavará todas as partes minhas que nele ficaram esta noite e que merecem ser secadas com uma toalha limpa e macia.

Na cozinha, a água escorre diretamente à cafeteira, esse barulho soa como o mar e me remete a antigas fantasias, quando sonhava em viver sem sentimentos românticos, apenas entregue aos devaneios de praia, sol e calor. A água ferve assim como nossos corpos ferveram às 2 da madrugada quando, untados de certezas, fizemos o amor do tipo alimento da alma que não está à venda nem nas melhores confeitarias.

Meu coração queimava todo o tempo. Encontrar um homem como ele, capaz de construir sonhos conjugados e recheá-los com palavras de confiança era um secreto desejo que eu nutria há anos, mas do qual já havia desistido. Era difícil aceitar seus galanteios repletos de charme e facilmente confundíveis com palavras de falsa origem. Ele foi insistente e soube enfraquecer minha falta de fé em seus sentimentos. Todo o tempo me presenteava com pães doces e poesias famosas, nelas sempre acrescentadas notas de rodapé de sua própria autoria. Constantemente cruzava meu caminho pelas ruas para provocar-me reações de surpresa e através delas medir meu apreço.

Quando finalmente cedi pude constatar toda nobreza e verdade em suas palavras. Ele me tomava todo o tempo em seus braços para provar-me que com sua força e coragem me protegeria enquanto pudesse. Era demais para que meu coração incrédulo pudesse suportar. Eu chorei no dia que ele disse me amar, de emoção pelo que já considerava inatingível e finalmente alcançara. Também o amo, embora ainda não tenha dito.

Olho para o coador como se ele estivesse para o café como a confiança para o amor, que possa ser filtrado e banido tudo que não for sincero e útil para nós, permanecendo apenas o sabor do novo e verdadeiro.

E é com essa certeza no peito e nas mãos que eu arrumo a mesa. Quando olho para as cadeiras, as coloco lado a lado,como a realeza que somos no castelo que começamos a construir. Ele desce as escadas, me beija e se senta à mesa. Começa a falar dos sonhos e do dia que teremos, sem saber que tenho tudo em mente, sem saber que o amo. Enquanto o assisto tragar o café, estala na minha boca a vontade de dizer “te amo” e que tenho sido muito feliz, mas não sei por que me calo, é medo do precipitado ou quem sabe covardia, não sei. Penso em dizer “te amo”, mas só pergunto: “Mais café?”.


segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Fortes Indícios

Haviam digitais minhas
espalhadas por todo cômodo
minha underwear era nova
minha esperança também
e justo hoje você quis estreiar
Nem tinha preparado,fiz tudo
de improviso.
Mas não aceito
que me prendam como criminoso
ladrão,assaltante,estelionatário
eu não sabia que o objeto de valor em questão

já tinha um proprietário

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Soneto II


Pode um sentimento nos guiar
para longe da trilha da razão
pode esse mesmo sentimento nos ilhar
nas suntuosas águas da paixão

Pode um sentimento ser tão amplo
Capaz de transformar loucura em ato
tirando o equilibro dos campos
levando a nossa paz em seu arrebato

E em seu ápice trazer consigo liberdade
desespero, tranqüilidade e inquietação
e toda hora desespero em nós chove

Pode esse sentimento que à nós invade
nos levar ao inferno e à redenção
certamente esse sentimento pode.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Novembro

novembro vai começar mais arredio
eu me encolho,com frio
o verão chegou as coisas queimam
nada além dos pêlos anseiam

é hora de pensar na passagem de ano
não posso descuidar das tarefas
das obrigações,e devo fazer a lista
do que comprar no natal

um gato pardo cruzou meu destino
me provou de sua astúcia
e me deixou cansado
e me levou pra lua

domingo, 28 de outubro de 2007

Até sangrar


talvez eu devesse ser mais calmo
e manter as mãos nos bolsos
e sorrir com ternura,com esforço

em mim mora um animal
que só quer liberdade
em mim há um lado obscuro
uma particularidade

você bem podia me salvar
dos perigos desse bicho
podia me domar
me dar banho
me dar mingau na boca

e ter em troca minha fidelidade eterna...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Série "Mulheres Diárias"


Camilla

Rapaz, cuidado com ela
É preciso ter cautela
Com essas meninas quietas
Que pintam os cílios como
quem borda a cortina
Rímel, sombra ,brilho.
As janelas da alma
em exílio
Enfeitado, o olhar fala
mas a boca não.
Calada, ela não se mostra por inteira
Gosta de fazer mistério
quando ela sorri
o enigma se mostra
Doce, açucarado e
surpreendente
como a vida.
La dolce Vitta
La dolce Milla.

Danielle

Com o gosto da verdade na boca
Ela sorri, louca
Vilã de novela
ultramoderna
Não lava panelas
mas esfrega a verdade
Em todas as janelas
Malcriada e linda
Ela é uma espécie
de bomba de saia
Prestes a explodir na sala
Bum!
E explodem gargalhadas
pelos espaços.
Pode nem sempre estar certa
mas há sempre
Pólvora e verdade
dentro dela.


Thais

Menina de luz
temperamento de lua
Crua
Inédita e ansiosa
Não demora
tá na hora de ser mulher
já não come mais de colher
nem brinca de boneca
Não precisa mais pedir
a ajuda da mamãe.
Amiga,seja você
mesmo que seja doida-varrida
mesmo as outras amigas
nem sempre entendam.
As artes não devem ser entendidas
e sim sentidas e admiradas

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Gaia


Para Vanessa Faria
Ela peca que nem sente
ela sente que não mente
Gaia
faz o que fala
e quer tudo
adora gandaia
não foge das lutas
astuta
tira a saia
pra parir versos
Versos elétricos
que chocam meu peito
Deusa contrária
mulher reunida de várias
sempre batalha
por uma colheita madura.



Foto: Mônica Bellucci

Malefício

Passar no Gragoatá hoje
me revirou o estômago
todo caminho lembrava você
tudo era muito incômodo

você me faz sentir nojo de Niterói
estranho poder de quem
pensei ser meu herói

sábado, 20 de outubro de 2007

open ended.

nada sou hoje
além de um bicho carente
desnorteado
desorganizado
com o coração pendente
um carinho
um abraço
um pequeno gesto
fariam-me completo
neste minuto.
Ah,eu sempre quis
tanto,e tanto sempre tive
mas não o tanto que eu queria
talvez o tanto que merecesse.
meu mundo hoje
é uma rua vazia
assustada e assaltada de energia
minha cabeça roda
a boca pede "beija,beija"
mas quem?
Ah,sou hoje um não -sei
com uma interrogação
bem grande
que segue avante
questionando
por que? por que?
Sei lá o motivo
de sofrer
e nem sei
se preciso mesmo saber.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

A via crúcis

Calado,enraivecido
segue sendo o só
derramando lágrimas
na madeira corrida
do chão do quarto
Seria fácil
se não quisesse
tanto o tal.
Sente raiva
porque o tal prefere
os idiotas
os vadios,os tolos
os vazios,os bobos
que não conversam
não entendem de arte
e nem fazem versos
os que,no sexo
se deixam levar
sem se entregar de fato.
Essa loucura
entra na cabeça e faz malabarismos
e não vê seu carro derrapando
nos abismos
nos vales escassos da saudade
Quanta apatia
quanto sentimento
desnorteia,limpar o tal
de seu corpo o humilha
como é louco
apaixonado por tão pouco
o tal sequer o acompanha
o tal não se emana
é como um cisto
um pecado dolorido
a me fazer de Cristo.
Cruz que carrego
diabo que me entrego
Esse cheiro do cabelo dele
embaraçado nas minhas mãos
esse sabor de boca e cigarrilhas
essas armadilhas do amor
que eu caio.
Se me entrego,eu mesmo vaio
se evito me sinto culpado
Tenho que estudar,ir ao banco
ao invés de escrever poesia
mas é só o que alimenta minha
vida de agora.
Sem tempo,nem paciência
Amor é só decadência.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

o calor da ira

esta noite Daniel me contou
que você já anda
beijando outro

juntei todas as pistas
que você deixou nos telefonemas
e entendi qual era a sua

refleti sobre quem sou
sobre quem na verdade manda
sobre quem andava solto

sem ser masoquista
sem sentir alguma pena
matei cada lembrança tua

das coisas que escrevemos juntos
ao policial nos detendo
tudo lacrado agora
tudo irei esquecendo

a dor de ter acabado
as lágrimas que derramei no meu vinho
não quero ouvir mais nada
só mesmo ficar sozinho.


Arte de Tom Wesselmann

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Porteiro dos Sonhos

Para Daniel Hikaru

Passa a ponta da língua no
canto da boca rosada
Esse menino sempre
fala com calma.
Ele tem um quê de criança
que encanta
nas caretas que faz
nas poses das fotos
no cabelo bicolor
nos lábios que tem cor de maçã
cara de travesso e invento de príncipe.
Enfeita o coração
ele tem esse quê
esse sorriso cristalino
loucura,mesura,juízo
suspeito que esse menino
tenha as chaves do paraíso.

sábado, 6 de outubro de 2007

Bossa Baby (saudade aperta o passo)


meu bem,onde estará
onde andará com seu gingado
e quem estará
à mexer nos seus cachos
a saudade aperta os passos
não sambo nem componho
como nas manhãs em Icaraí
não canto e me desmancho
querendo logo ver a ti.
meu bem,que fazes nas horas
que costumávamos brindar
quem agora bebe o vinho
e fala asneiras
quem ri com os amigos
na praça da Cantareira.
quem se aconchega
nesses braços tais
só comigo conseguia
os abraços maestrais.
Ah,meu bem não demora
acende o meu cigarro
que a saudade aperta o passo
e eu tô louco pra dançar.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

O instrumento e o Poeta



Tocava aquele instrumento com afinco
como se beijasse minha mão
As luzes sequer refletiam
grande era sua música
o poeta,na platéia
amava
escrevia
sentia e gostava
a Guitarra do músico
lhe preenchia o corpo.
Guitarra não! Aquilo era um Baixo
avisou-lhe um amigo.
A música que vestia aquele que a tocava
tocava o coração do poeta
o poeta,que nunca foi fã de rock
sentiu na veia cada acorde do instrumento do músico
o músico sequer via a exaltação do poeta
concentrava-se no seu charme
no sucesso que sua banda fazia
O poeta observava o instrumento
com raiva
o poeta o invejava
invejava o Baixo
tocado pelas mãos do músico
o poeta queria aquilo
ser tocado
ser acariciado
ser tudo que o músico quis
e sempre pedindo Bis!

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

passion victim


seu coração estivera sempre aberto
sempre alcançável.
seu sorriso imutável
faz dele poeta
ao menos para aqueles que ama.
o infindável sentimento
lhe batera a porta ainda na infância.
ele nunca consultou a razão
fato,era amar tenso.
A paixão era regra;
a volúpia,bônus.
Até onde estivera imerso
no desejo de criar anseios comuns
não cogitava errar a mira
e atingir alvos falhos.
Eis o erro dos erros
a falha que assaltara-lhe as forças vitais
tão forte foi a queda seguinte.
Seu coração nunca fechará
ainda que a vida lhe pague
com dores que não se contabilizam
não desiste
o que à dá
é ele quem também tira.




quarta-feira, 3 de outubro de 2007

O indesnudável coração Niteroiense


No peito da cidade
batem os nossos corações
o meu homem partiu
para ajustar sua vida
não sobraram lugares
pra rancores
melhor respirar as tensões.
Solto no cais
redefinindo o destino
buscando Paz
e o coração Niteroiense do meu menino.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A carta,meus erros.

Bruno,onde está o respeito mútuo
que tínhamos?
Em que momento perdemos-o de vista?
O quê ainda fazemos neste cômodo?
Que conversa é essa que estamos tendo?
Penso em toda nossa história
cada dia que passamos nesse Rio
cada mentira,cada escória
cada beijo,cada momento de parceria.
Tudo parecia certo,
real e verdadeiro.
Tudo se foi,derradeiro.
Não consultei os oráculos
queria mesmo era viver a Paixão
e agora que te vejo,sublime
e calado,minha raiva é o legado
É o que sobrou de nós.
Nosso vai-e-vem nos lençóis
eram tão estrelares
que nem percebi que no fim
sozinho eu estava.
Eu te odeio por cada mentira mal contada
e te amo por cada minuto ao teu lado
nossas fotografias
nossos zelos,nossas alegrias
estão aí,na frente dos teus pés.
Bruno, onde eu errei? me diga
foi em querer o intenso?
foi em não ter bom senso?
Por que tomei uma rota
cuja volta seria tão dolorosa?
Eu te amo Bruno
como antes só amava a mim mesmo.
E te odeio,por você não
tenho respeito
nem compaixão.
Não me procure quando estiver só
não me telefone nos dias de folga
e não ofenda os nossos lugares
com novas companhias.
As heresias disfarçadas
de declarações estão nos teus pés.
acaba logo com este sofrido rito
Anda Bruno,recolhe logo o lixo!

na última hora


A surpresa maior foi ter ouvido
o quê,naquela hora,o coração dizia
sem preocupar-se com possíveis equívocos
o erro foi falar além do que era permitido
pelo tempo que nos conjugava
e deixar a linguagem corporal
tomar voz por instantes.
Sem medo,lançávamos
sobre um precípicio
a pressa nos conduzia.
no entanto,maior surpresa
foi sua solene interpretação
fazendo amor comigo sobre a mesa
debruçados sobre as regras da paixão.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Calma-te boca

Só quero te dizer que estou com medo
medo das nossas ousadias nos parques
medo das nossas conversas na fila do almoço
medo dos beijos no Mac
medo da sua mão embaixo da minha roupa.
Sim tenho medo
que nos peguem
que nos prendam
que nos separem
e mais ainda
Medo que esses medos se acabem.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Íntima Chama

Passou todo o dia com minha camisa preta. Devolveu-a tomada pelo sal de sua pele. Não reclamo, pois tal a camisa eu também estava.
Nessa tarde subimos as ruas mais nuas e árvores vigiavam.
Os corpos não ficaram crus por inteiros
meio vestidos meio despidos
eu já era seu
o calor nos convidando
e eu,meu bem
eu estava queimando.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Mulher


à Wilza
"Tempo,tempo
por que tem pressa?"
pergunta a mulher.
Temerosa que ele seja seu inimigo
e à prive de seus sonhos ainda
inacabados.
Não sabe ela ainda
que ele é seu aliado.
Ele,mancomunado
com a certeza das realizações
prepara-a para um futuro
nem ainda pela própria desejado .

Mulher não é ser perecível
essa mulher, a não-impassível
a não-imaculada
desejada,amada
nada sabe ainda.

Esse vinho doze anos
que serve à si mesma
serve de espelho.
a bebida
confabula com o sonho
a própria mulher
não escuta
essas conversas de bastidores
pois,ainda anda concentrada
nas próprias dores e desmandos.

A praia dos reis é só
o primeiro ingresso.
Próxima parada:
O UNIVERSO.

sábado, 22 de setembro de 2007

Lugar comum

O que você sente quando estamos juntos?
me diga
sou todo ouvidos para você
assim com todo resto do corpo
Tento, tento e não consigo
interpretar seus olhos maliciosos
que me despem sem dizer
uma única palavra de alento.
Não há libras que me ajudem a desvendar
se te tateio muito
terminamos em poente
crescentes na noite.
Me diz o que você sente
quando encontra no meu
pélvis aconchego
não há de ser um segredo
tão secreto que eu não deva
saber tão cedo.

Haru

Para Luiz Japinha


Os meninos bonitos não vieram do Japão
não tem olhos puxados
não tem sorrisos contidos
nem palavras de pressa
como você.
Quando a primavera ia chegar
olhei pela janela
e você apareceu
explusando a tradição dos olhos
verdes,cabelos claros e um metro e oitenta
de altura.
Quando você passou
os surfistas,os roqueiros
alemães e brasileiros
não puderam mais passar
tamanha era a enormidade
da tua beleza oriental.
Não faz mal
ninguem reclamou
com teu rosto à paisagem
foi a primavera quem ganhou!

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Premiére


Tempo é pra todo aquele que vive
assistir ao cortejo de amores esquecidos
rumo ao remoto limbo do meu coração.
Action! grita meu peito.
Nada de repetições
nada de zelos infâmes
Tudo novo! Agora!
Um belo sentido está para estréia
nascer do sol
beijo de língua
e os velhos medos morrerão à míngua.

domingo, 16 de setembro de 2007

Soneto I


A lua,silenciosa testemunha
do movimento do nosso amar
seu cabelo cacheado na minha nuca
Pulmões ofegantes buscam ar

Da sua boca saem palavras de ordem
Ordem essas,sigo à risca
tuas mão que acariciam-me podem
ao meu coração fazer visita

Morder tua pele e nela adentrar-me
Ungidos,unidos perante a lua
momentos de suor e nenhum pudor

Tomando-me em gestos,amar-me
Teu corpo,meu corpo,alma nua
Amantes embreagados pelo próprio amor.


segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Merecimento


Eu quero escrever sobre seus olhos
sobre tudo o quê eles provocam
e por apenas fitá-los
milhares de sentidos espocam.
Olhos seus,jabuticabas colhidas
pelas mesmas mãos suas
que agora tiram minha camisa.
Lembro daquele dia
em Boa Viagem
do sol que fazia
e da sua linda barba não-feita
e o Pão-de-Açúcar
do outro lado do mar
à completar a colheita.
Era quinta-feira
e eu estava feliz
e o tesão,impaciente
não explodiu
por um triz

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Contrição


Hoje eu tive um dia muito difícil
acordei atormentado por
vozes conhecidas.
Farejei o cheiro
das suas atriculações
pelo assoalho da sala.
Dizem que sofrer é elegante,
social e elitista.
Humilhante é Amar.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Passeio


Em todo tempo
todo instante
há sempre um aviso
dentro de mim dizendo:
"Siga adiante"
como se não houvessem
perigos e medos
aflitos, cedo
em nossos dias
manhãs,tardes
dormidas,comidas
vividas
há sempre um bom motivo
um sorriso
um beijo
no nosso tempo
que o vento não leva
há sempre um toque
que se espalha
e não encolhe
que não limita
e que só escolhe
eu e você
e toda vez que o
aviso mandar seguir
eu seguirei
porque o nosso amor
é a minha lei.

sábado, 25 de agosto de 2007

Temperatura Máxima

O termômetro não mede
não fico com a cútis avermelhada
a respiração já agitada
e as mãos trêmulas no meio da tarde
Ela vem,senta ao meu lado
me cerca,me toma,me domina
Abusada,não se anuncia
mas me arrepia todo
e só faz crescer com a idade
Essa indesejável inimiga
chamada Ansiedade

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Saga do amor entre o Urso e o Leão na selva urbana.


Ele pode. Eu quero. Nós vamos. De encontro a toda selvageria da cidade grande onde vivemos e onde nos encontramos. Toda vez que o vejo, acaricio-lhe o rosto sem medo de arranhar-lhe com minhas unhas roídas de urso. O leão por sua vez não hesita em agradar-me com sorrisos que refletem seus caninos pontiagudos, medo me tem quando aproxima sua boca pequena e letal ao meu corpo.

Os amigos lhe saúdam pelo caráter e generosidade com que ele ajuda os próximos. Num mundo que é uma verdadeira selva, onde os humanos se matam pela ganância e crime, é surpreendente encontrar um rapaz tão gentil, mesmo que tendo um temperamento tão forte: coisa de leonino. A mim, congratulam por ser um urso que não hiberna as idéias e que olha mais para o futuro que para uma colméia. Não podia ser diferente não ganho nada esperando que o inverno passe, não preciso que o sol me aqueça para viver.

Durante esse tempo eu grito em busca da minha vaidade humana perdida dentre meus instintos animais. Num sobressalto percebo que fiz dos prazeres da carne uma nova leva de certezas que estruturam meu sentimento pelo Leão. Ele é forte, não teria como não sentir segurança em sua pele nem ganas de ter sempre sua língua capaz de lamber todos os meus medos. Contudo comecei à recordar o tempo em que vivia sozinho em minha caverna, sem precisar sucumbir à presença dele para me sentir acompanhado, de tal forma essa questão atordoou-me os pensamentos que não sei se me sinto agradecido ou confuso pela falta de clareza diante dos fatos.

Eis que tão logo diante dele eu pergunto: “O que será do nosso futuro Leão,existe amor no recinto?” E o leão à olhar-me sem reação responde: “Há de se falar ainda em sentimento nos dias de hoje quando por pouco acabamos mortos em esquinas? Não basta construirmos uma relação que vai contra todas as leis rigorosas da mãe natureza?”

“Somos animais selvagens não somos?” eu disse “Por que então se nega a falar do mais indomável dos sentimentos?”

Ele pediu me mais tempo para concluir essa conversa pois ainda havia muito a ser feito e programado: escola,trabalho,faculdade. Tarde demais, era tempo de fome e eu precisava comer. Avistei uma manada de búfalos e tão logo ataquei um deles. Enquanto eu rompia as artérias do animal que se debatia, fixando fundo minhas mandíbulas em seu couro e em sua carne, o Leão aproximava-se seguindo seu instinto de procurar-me por dentre as colinas pelo rastro do cheiro do meu corpo suado. Juntos divimos o banquete: a carne quente e dura do animal que ainda agonizava.
Tamanho meu esforço em me fazer presente na sua vida, que não contabilizei os percalços que viriam: complicados e demorados, como a própria vida na selva. Eu faço um esforço nobre em tentar entendê-lo, não menor do que ele fez em aceitar-me.
Seguimos naquela tarde caminhando na beira da praia rumo ao topo das planícies da cidade. Bom tempo é o nosso, que não se acabe logo.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Suspense I

Apareça
sem aviso
Arrisque-se
Não hesite
Não tema
Você está prestes a ser o muso
de vários poemas.
Pode ir chegando sem medo
de exagerar na dosagem
pois para amar é preciso coragem
é preciso vir de peito aberto
e agora eu só preciso
ter você perto.

logo a boa notícia será contada
que nossa cumplicidade
foi hoje selada.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Reflexivo


É madrugada
e eu sofro impaciente
Das dores que já senti
essa é a mais coerente.
Afogo-me em diversar tintas
procurando pincéis perfeitos
pra ter meu desespero
revelado numa pintura
cubista, surrealista, anarquista,
realista e mal-vista.
Sofrêgo pelo amor
eu rasgo laudas e versos meus.
Ansioso por certezas
eu rompo minhas amarras de gente.
Eu quero amar! Quero corpo.
quero língua. Quero amável!
e até um pouco de Paz
se não fosse minha natureza
tão indomável.
Arte de Pejman Ebadi

Sempre

Ele admirava a lua
tão cheio de ternura
que nem dava-se conta
que a saudade lhe
saqueava a alma.
De repente,vazio e vulnerável
começou a desfalecer calado
perante a fotografia do amado.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Herança


Sou filho de pais fortes,mas cujas utopias da juventude fracassaram. E hoje encontro-me no momento de criar minhas própria utopias.E nada poderia parecer tão difícil e inomimável quanto ter que transformar sonhos em algo mais sério,real e objetivo.Amo o fato de ser livre,e de ter arbítrio suficiente para traçar caminhos facilmente apagáveis e igualmente removíveis.Assim é o amor pra mim: não-eterno,não-terno e apagável da memória com custo.Assim são meus sentimentos: mutantes,relutantes e inconstantes.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Tanto tempo


Manhã chuvosa e fria
Sentado ao meu lado está ele
com paciência
lendo os versos que escrevi
seus olhos atentos
são o alento que preciso hoje
e seu aconchego em mim
são pedras onde planto flores
o mar,o Mac,a praia
o vento,o tempo,eu,Asy
quero todo dia assim

domingo, 5 de agosto de 2007

Do desejo

Tanto faz perto
quanto em outro continente
o desejo dribla o que é certo
quanto tempo durará a saudade?
não menos que meu sentimento
meu corpo acha graça
da própria vontade
de juntar-se ao seu
Minha mente grita
cria asas,alça vôos
não se doma o que é teu
eu olho revoltado para minhas mãos
quando estavam perto
não te tocaram
não,como quero
que toda noite me inebria
com pensamentos
e eufemismos do desejo
em doses lentas
poucas gotas
Quero só um beijo
a sua boca.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Os cachos dele



Ele apareceu de repente, três dias antes que eu completasse meus vinte e um anos, como um presente entregue no endereço errado. Não me olhou com olhos de desejo à primeira vista e sim parecia analisar-me enquanto eu lhe negava um sorriso. Nada faria tanto sentido quanto essa troca de olhares, tão extensa e íntima que revelou uma química por mim nunca imaginada e que selaria para sempre os meses seguintes. No entanto recusei solenemente os convites que ele faria com medo de algemar-me numa prisão que não era a do amor. Deixei os encontros a cargo das festas que freqüentávamos, ele sempre à minha espera priorizando minha boca, não que fosse motivo para me sentir lisonjeado, apenas confortável ao perceber que estávamos transformando devaneios em balas de menta, tão necessárias quanto às próprias bocas encaixadas. Precisei de um empurrão dos amigos de plantão para aceitar finalmente o convite. Fez-se então o nosso dia.

Ele, e só ele foi capaz de trazer-me de volta à vida ainda que vivendo em meio ao caos dos seus dezesseis anos. Foi capaz de proporcionar-me um sorriso no rosto e segurar minha mão ao atravessar as avenidas e sem titubear tascar-me beijos na boca. Não disse na hora o quanto apreciava sua natureza tranqüila mascarada sob os olhos de um adolescente rebelde, só afirmei o quanto era bom o cheiro dos cigarros no seu cabelo e que não sentia falta da touca que vestia no dia que nos conhecemos pois bom mesmo era segurar em seus cabelos enquanto ele me beijava e sentir a língua dele dissolvendo por dois. Meu coração rugia como um leão faminto e ele me alimentou com a propriedade que nem lhe cabia mas ainda assim o fez como que pelo destino. Minha imaginação criou asas que imediatamente foram engaioladas pelos seus dentes enquanto meus braços o envolviam. Apesar das palavras inquietas do adulto que dentro de mim gritava, calei logo a consciência das palavras de alerta, fatais para extinguir nosso momento.

Não tive medo de exageros ao naufragar na bruma do seu sexo, de verdade acabei por não mais pertencer a mim mesmo, como se seu excesso de pêlos me perdessem numa floresta densa e primitiva, sem estranheza da minha parte pois sentia já ter estado ali antes em sonho. Por fim a realidade era mais dura e voluposa que imaginei. Ah! E mais volumosa também! Sem medo ou constrangimento, gani diante do seu sexo como um cachorro ferido ainda que estivesse sofrendo pelo que era bom, muito bom de ter, e soube escolher o melhor dia para que acontecesse.

Sabemos ser bons amigos quando é preciso. Ele me faz entender o meu pensamento de anos atrás e agradecer por esse tempo ter passado e eu tento lhe mostrar a irregularidades da vida e dos seres-humanos embora poucas vezes nos prendemos a assuntos de cunho adulto, gostamos mesmo é de brincar e nos descobrir como duas crianças. Chamo-o leãozinho, enrolo seus cachinhos no meu dedo enquanto me conta os acontecimentos do colégio, dividimos cigarros e rimos de tudo ao redor. Eu entendo o andamento dos fatos e consigo enxergar que nem sempre estaremos assim, que logo terei de crescer novamente mesmo que com algumas semanas de atraso, mas não tenho pressa, prolongarei essa séria brincadeira que chamamos de “gostar”.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Nocaute

Levei porrada de tudo quanto era tipo
Justo eu,que me imaginava tão forte
Não sou,nunca fui
e justamente ele me mostrou isso.
Ele é como o próprio inverno
Frio, apático e insensível
Eu sou como o dia de chuva
Cinzento, triste, nublado.

Eu levei porrada de tudo quanto
foi lado.
e levei porrada sozinho

sexta-feira, 13 de julho de 2007

I love my Lion


Ele rugiu para mim
ou terá miado?
ou só cochichado?
Só sei que disse me coisas
lindas ao ouvido.
Ele é alto,tem uma
voz bonita e uma boca
que sabe beijar.
Me pega em seus braços
com força,eu me entrego
como uma presa indefesa
à suas mandíbulas
à suas mordidas.
Eu também o mordi
desafiando seu ar austéro
e não me perdi em seus pêlos
e cheguei ao seu paraíso
ereto para a Guanabara
certo para meus lábios
Longe ouvia-se música
e a lua última de Junho
testemunhava.
Predador e presa
tudo certeza
e é por isso
que eu amo a Nobreza
do meu Leão.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Boas Novas!

Nem ouro,nem prata
nem bronze,nem cobre
nenhum se compara
à beleza que existe
nos olhos de Jorge

e trinta e um dias
sem sua presença
em todos eles
a saudade será a sentença

Pensarei em você
e te visitarei
no correio do meu pensamento
para encontrar algum alento
nos dias que virão

plante e colha bons frutos
nesses mês lá distante
e pense em mim
mesmo que por um instante.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Procuro-me

Ao que não consegui entender,aceitei.
Ao que não consegui completar,reprimir
Ao que amei,sobrevivi!
Procuro-me, perdi-me de mim
nas inércias de um caminho
que eu mesmo escolhi.
meu
medo
maior
aqui
estar aqui
mas perdido
de mim
Andei por aí
e vi meu eu na encosta
gritei, chamei
mas não tive resposta.
Procuro-me
Procuro-me
Procuro-me
Perdido
Achado
Amado
Perdido

sábado, 30 de junho de 2007

Esconderijo


Quando chego ao ápice
lá bem no fundo da sua verdade
de mim,no entanto
saem mais mistérios
do que compreendes meu amor
escorre de mim, um poema
dedicado, que mesmo quando
não é em ti, é pra ti
é de ti
é por ti
feito pra você, meu leite
meu enfeite, meu banquete
meu dormitório
meu leito satisfatório

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Para o secreto rapaz

Um belo par de olhos verdes
roubou me os sentidos,o senso
embreagado fico ao vê-los
essa dupla de tesouros intensos
Quero-os
Preciso-os
Delicio-me em pensamentos
onde o dono é meu por inteiro
onde seu corpo é um baralho
que embaralho e endireito
no meu colo.
É meu por inteiro
este nobre guerreiro.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Menininho


Para Jorge Luiz

Gosto muito de te ver sorrindo menininho
Gosto muito de te olhar assim
Gosto muito de te ver seguindo seu caminho
Gosto de por ele andar assim

Ao encontro dos seus olhos de amendoeiras
acariciadas pelo orvalho da manhã

Gosto de te ver nas dunas
caminhando rente ao mar
sentindo vento nos cabelos
Gosto de te encontrar na cidade
iluminando o concreto
sorrindo por perto

Menininho,menininho
siga bem o seu caminho.

Dentre copos e ossos


A realeza roeu todo meu querer
o sentimento que guardei
como um anel de familia
para o penhor da solidão que viria.
A revolução calou-me a
certeza,esperança
não consta no inventário
Remendava tecidos destruídos
por traças,sentado no banco
da abandonada praça
do Centro da Cidade,enquanto recordava
toda infortúnia da minha vida.
Certamente poderia ter sido
uma simples história sobre
desprezo,se não fosse tão
real meu desepero.
Colado à boca feminina dele
me perguntava se era isso
que queria,calei minha alma
para não ouvir a resposta.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Eyes on the patch


Houveram dias
em que eu quase consegui
acreditar que era feliz.
Isso foi à exato um ano atrás
Hoje não me sinto capaz
de achar que serei feliz outra vez.
Agora eu consigo ver.

sábado, 16 de junho de 2007

Desbocados


Com gosto de seu na boca repouso

remanescente do ato

com o gosto de meu na boca

você debruça e pede água

se não fosse o recém bebido leite

que escorreu de Aquário

e acendeu em Touro.

Eu que não sou cego

tornei-me especialista

em tato

e a lua a invadir o quarto

ressoa o apetite que está por vir

E com mais fome volto

sem nem dizer uma sequer palavra

pois enquanto sua boca me fala

a minha prontamente se cala

Sem

Quando vai me amar com a intensidade que preciso?
e ser apenas a próxima ferida a ser aberta
estando ou não eu preparado
sempre estou olhando pelo lado triste
já sou viciado nessa velha repetida desconfiança
reflexo do seu eu passado
visão triste do nosso futuro.
Eu,que nem sei bem expressar meus anseios
penso somente em cegar meus olhos para tudo
que possa doer.
E padecer conivente do querer-você
Não sei até onde minha vida
é o gelo derretendo no seu copo d'água
mas só um desejo arrisco precisar
não que eu não entenda ou arrisque
mas não me ofenda novamente

com seu desejo por Paulistas.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Entranhas

Senti-me homem ao primeiro toque
agarrado as expectativas afiadas
da vida.
Eu nada via
nada conseguia enxergar
só sentir
vibrações uma-a-uma
em torno do soneto agudo
do seu corpo.
Regido pelas ordens
No caminho do roer
daquele toque
sensível .
Eu estava ali entregue
iceberg emergido
segredo exposto
papel fosco
botão de rosa
exposto e escancarado
como quem goza.

domingo, 3 de junho de 2007

Por Uma Vez

Ele veio pedindo perdão
respondi com um silêncio de indecisão
Perguntei ao oráculo se devia
ele respondeu com silêncio de indecisão
Se não me amou antes,porque amaria agora?
as incansáveis perguntas sem respostas
me entediam.
Só não me privo de amar
Amo ao céu
à terra e ao mar.
Eles me devolvem com um dia chuvoso
e um perigosa travessia
Rio-Niterói.

sábado, 2 de junho de 2007

Avós Amadas da Zona Norte

Ah lindas avós da minha Zona Norte

empinadas em saltos médios

como Misses tal seu porte

donas do bairro,das ruas,

das amendoeiras,dos postes.

Sendo delicadas flores tal as estampas

de seus vestidos,em meio ao buquê

formado na feira naquele colorido

de verduras,cenouras,tomates.

A comida há de estar pronta no horário marcado

e o almoço não tem menu refinado

é arroz,é feijão

no mercado elas são matronas

mandam no açougue

no peixeiro,no gerente.

ensinam a gente à ser gente.

Ah Avós

Mulheres,santas,serpentes.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Re-volta

Se lembre dos beijos
no lugar das declarações
que nunca lia.
Os fins-de-tarde
que relembram
o amor que fazíamos,
e que tanto sinto falta.
Relembre em mim
os cestos de pães
que divíamos
Ainda não descobri
se essa sua mania
de me viciar
era fetiche
ou hábito
Só sei
que a abstinência
me sufoca
me enforca.
Devolva-me
as então tardes de
Uruguaiana
onde os tolos
passageiros do metrô
não entendiam nossos
códigos.
Então eu peço
repito
Volta.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

3 da manhã

Acordei do sonho ruim
deitado na rua em meio a gélida
noite de outono.
Tonto de desejos confessados
embreagado de mágoas
Lá longe as luzes da cidade
desenham o universo que não pertenço
posso ser um herói
posso amar
posso ficar livre
posso me matar
tudo isso na hora mais fria do dia
que insanidade é essa
que eu chamo de amor
que balbúrdia
um prédio desabando em minha direção
eu me permito morrer assim.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Seus óculos no pé da minha cama

Minha noite precisava de você
eu nem sabia
nem tinha como saber
Achei que já estivesse acabada

antes que você saísse daquela porta
vestindo os lábios com um sorriso
e o corpo com um moleton cinza
Quando a lua ílumina o céu
num degradé azul ameno
só me lembra o que não tivemos.

só reflete o que não vivemos
Os estudantes nem percebem os meu olhares à você

nem perceberam meu fascínio
então por que achei que você perceberia?
Meu amor exposto em close naquela fotografia
Meu amor caído em armadilhas
Quem me dera raptar-te um dia
Eu irei raptar-te um dia.

Lost


A tarde da cidade
misturou-se, mascarada às
longas avenidas que cruzei neste dia.
Um novo fato,uma nova vontade
e eu nem perceberia
se não fossem as gotas verdes em meio
à cinza rua Álvaro Alvim.
Tão cedo vim, mas na hora marcada
tantos risos,tantos tatos
vão se os dedos em meio ao caos
deixando me anéis

envergonhados banhados à prata
a bela boca que não consegui beijar

Não insisti em formar um elo inacabado
por ambas às partes.


quarta-feira, 23 de maio de 2007

Ipanema à vista


Vim da praia onde o sol brilha em riste
mesmo nos dias de chuva
Vim da praia onde a beleza não
tem pudores.
Onde encontramos amores
e sorrimos sem vontade
onde o efêmero é duradouro
onde os homens são tão belos
que não precisam de vestimentas
as mulheres são sereias
e suas escamas são douradas de sol
acredito que seja aqui que Iemanjá reside
neste mar
não seria ela tola de escolher outro lugar.
os Dois Irmãos ergueram-se para serem reis
e guardiões,donos das praias.
Sou um admirador de Ipanema
onde a sofrer vale a pena.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

dizendo "EuTeAmo" (poema do centro do Rio)


Eu não preciso
alimentar saudade
Ela,que pulsa viva em meus
sentidos.
Ela,que cresce a cada passo dado
nessa cidade,que foi por nós
tão contemplada,explorada
admirada.
Por todos os cantos desse
centro da cidade.
por todos encantos
O primeiro beijo em cena
no cinema do paço Imperial
No Passeio Público
selamos compromisso oficial
eu te amei todo
na escadaria do prédio
da Senador Dantas
passamos horas conversando
no saguão do CCBB
tudo se mistura nas lembranças
cidade,paisagem,você
Admirar arquitetura
pra não sentir falta
da presença sua.
Tomar café,viver
e continuar escrevendo
ouvindo você me dizendo
"Eu Te Amo"
atravessando a Rio Branco.







domingo, 13 de maio de 2007

Campo Minado

Quisera eu fazer parte da sua manhã
ser a torneira duas vezes acariciada
no escovar dos dentes.

Ser o sempre indispensável espelho

enquanto colocas as lentes.


Quisera eu fazer parte da decoração do seu
quarto


ser o bibelô
empoeirado na estante


ser porta-retrato de memórias


estar ao seu lado na cabeceira
mórbida


de mogno.

Ser o lençol que te abraça em
sonhos


figurante no
desejo de ser parte deles


Ser o sempre empenhado travesseiro conselheiro

que conhece as dúvidas e dívidas

e sussurando palavras de
consolo ao ouvido.


Quisera ser sua roupa íntima

em que você transpira,respira e
acorda


em alerta.

Ser a costura da bainha do seu
pijama de inverno


Quisera eu poder estar por perto.

Guardando,velando,cuidando

Dedicado e companheiro

de quem amo.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Vigésimo Andar

Fico procurando uma razão para escrever
que não seja essa tristeza que me assola
essa profusão de sentimentos
já fora de validade.
Bem sei,é verdade
da difícil arte
de reinventar-se
e da mais complicada:
achar um par aceitável


Estou na vida à passeio?
Não!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

À Pé


Respirei sob medida aquela manhã
procurando ao longo da rua
uma pista,uma dica.
Não achei.
Estou escrevendo meu livro,
aos 11 anos plantei uma árvore
que até hoje vejo crescer.
Não terei filhos
mas me sinto um homem completo
já amei mais que muita gente que conheci.

sábado, 5 de maio de 2007

Tritão


Para Matheus Ferreira Marcos

Caminhava nas areias rasas
esse cavaleiro da ordem praiana
banhava-se às águas claras
esse Deus de havaianas

Eu parecia um estrangeiro
encantado com o rapaz
seria uma miragem
ou uma sacanagem
da natureza pra me provocar?

Blasé que só ele
fingia não perceber os olhares
enquanto eu contornava
o perfeito desenho dos lábios.

A pele morena que o sol tingiu
o jeito maroto e brutal
moldado no barro divino
e livre neste calor infernal.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

O Segredo do Paço Imperial

Não consegui evitar
saí em busca de outros temas
variedades,memórias centenas
mas ao fim,dei com sua boca
esse desejo certeiro
me dá logo um prova pra cumprir
receita,desafio.Não importa,eu faço
mas repete hoje comigo aquele beijo no Paço
o primeiro
minha memória te ama
a ponto de não dar aos novos
algum qualquer espaço
real ou plebeu
como aquele nosso
merecendo o título de Imperial
o cinema do Paço.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Capricho de Marujo


Eu nado um poema
inundado por todos os lados
mergulho fundo à procura
do tesouro escondido
Minha espada de pirata latino
está pronta para a luta
Sentados bem no cais do encontro
Admirando o crepúsculo,mais dourado
que o ouro enterrado
mais disputado que teu segredo culpado
Nunca fui bom em táticas de guerra
prefiro nossa boa e velha briga de pernas
meu barquinho velejando nesse mar nada brando
nessa viagem marítima íntima
nessa água invadida por nós
nossa banheira,nossa baía,nosso resort
nossa Guanabara imprópria pra menores

domingo, 22 de abril de 2007

Inquisição

Bem-vindo seja o vento que te traz até mim,em lembrança
bendito seja o tremor de quem não perde a esperança
amo-te e nem sei de que crime me acusam
amo-te mesmo diante das recusas
amarrado,amordaçado,com o corpo em chamas
destino irrevogável de quem ama.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Amanhecer-te


O sol entra pela fresta do meu olhar
A vizinhança e seu barulho matutino
É manhã de domingo
Meu amor dorme ao meu lado
Seu sono dos injustos, sim
Injustos, dado que logo nos separaremos.
Meu amor dorme um sono profundo
E nem sente que o toco
Nem precisa, minhas mãos já se sentem em casa
Não quero acordá-lo desse momento de beleza
Eu não quero acordar desse momento de certeza
Sua presença nesta cama é a sentença
De plenitude do nosso caso
Sua alma, aqui nua (o corpo também)
Aos meus olhos, que posso dizer mais
Obra de arte de beleza furiosa.
Saio da cama bem quieto
E faço o café que ele nem gosta
Depois, me junto a ele
Queria conseguir dormir
Mas parece impossível
Pois esse momento é mais que verossímil
É confortante, inebriante, me extasia
Inundado, bêbado de amor
Respiro em plenos pulmões
Um sentimento maior
Que qualquer outro nascer do sol
Um amor de corpo presente
Que amanhece
Que venta, que chove
Um amor que nos cobre.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Wicca comigo esta noite

Há algo em você
que distorceu meu ser,meu estar
me fez esquecer todo o amor
já carimbado no meu passaporte.
me fez estreiar novamente
toda surpresa da sorte
Há algo em você
feito te único
tão orfeu,tão meu
Você é o sol
sou a janela
sempre um novo sabor de gesto
uma conversa íntima
um cigarrinho preto
um amor de papos retos
um amor contido,sereno
um amor de malandros
um amor de boêmios.

domingo, 15 de abril de 2007

Novo Mundo

Nepal,Bariloche,Alpes
a mais nobre e alba neve
não tem a mesma brancura macia
e sutil da sua pele.
Nem que estivesse na mais famosa estação
de esqui,não deslizaria prazeroso
o caminho que percorro no seu dorço.
Esse poço de desejo inesgotável
que me faz vulcão acordado
encoxado,
Nem que desbravasse as selvas densas
nem assim teria a mesma sede
de desbravar os seu pêlos,
escalar o seu peito
conquistar o "Ever-este"
Depois de tantas aventuras,
conquistas.
Descobridor de mares e males
vou repousar
sobre a nuca do paraíso
que conquistei.
Sem fincar bandeira ou expulsar
nativos.
apenas sendo ativo,
no amor.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

O Canto do Falo

Enquanto dormias distraído
dentre os lençóis maternais
cheguei bem quietinho por trás
e intruso,descobri que és mais macio
por dentro do que por fora.
Naquele dia vi que a armadura que vestes
é apenas atrativo,ou proteção
mas sua essência é das mais delicadas
os sons que emanas me inflaram
e conheci um céu além do azul que nos cobre
o céu vermelho que em sua boca reluz
pequenos anjos.
Eu, que muito manjo
desse assunto,não me fiz de rogado
fiz me fonte de vida
e na sua saída
nem percebeu
enquanto você ainda estava delirando
dentro do seu eu
eu estava jorrando.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Religião


Eu amo à Deus sobre todas as coisas
mesmo não estando no meio de nós
sequer no meio de mim
Pois,que no meio de mim tem apenas um i
infeliz
incapaz
indefeso
i de irmão,mas Deus é Pai,não?
Pai,eu já tenho
Eu quero um amor.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Narcótico

Quando vi seu sorriso pueril
correndo leve pela Vieira Souto
senti que te amei mais um pouco
e nem era um décimo do agora
me apaixonei de novo
cada dia,um primeiro
cada beijo inédito
cada guia,novo tópico

nova via
pudera todos os casais
ter essa mesma ousadia
mãos sempre dadas
irresponsáveis,inconsequentes
sempre assim,sempre
depois de um dia inteiro de trabalho
o merecido noturno encontro
sob a lua liberal
da rua Siqueira Campos

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Sem um Fio de Consideração


Enquanto as horas vão passando
vejo o eficiente feitor que você é
eu,acorrentado ao pé da mesa
por uma corrente que nem é ferro
é fio.
querendo logo a libertação
dessa eminente escravidão
que evidencia minha dependência
e alimenta a incoerência
cogito até recorrer a lei áurea da gravidade
arremessando contra o chão essa insanidade
chamada telefone
que quando toca não é sua voz
um aparelho se torna meu algoz
e me desbota no tronco da ansiedade
e me tortura na secura do querer-te
e me chicoteia na espera da sua ligação.
Em vão.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Deus Chora


Quantas lágrimas Deus terá que chorar de arrependimento por ter nos criado?
Quantas lágrimas o Cristo Redentor terá de chorar
Por estar de braços abertos sobre uma cidade não mais digna de tal?
Não sei, pois sequer sei quantas lágrimas eu terei que chorar
Eu, carioca, não moro no Rio
Moro na Colômbia das guerrilhas
Moro nas sangrentas guerras do Oriente médio
Auschwitz é aqui.