segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Alguém como você, não.

(Inspiração de Adele II)

Se vou encontrar alguém como você? Tomara que não!

Não quero alguém que seja essencial para me fazer sentir vivo, tornando todos os outros aspectos da minha vida obsoletos.

Não quero alguém que me faça sentir um garotinho fraco e estúpido quando sei o tipo de homem que tenho capacidade de ser.

Não quero alguém tão importante, tão vital, tão definitivo.

Não quero alguém que me empurre para o precipício que é a vida após me tirar todas as redes de proteção, me deixando sem ter onde me segurar, me tirando as chances de ser feliz.

Não quero alguém que me mate enquanto vivo.

Não quero alguém que me tire da solidão de costume, me jogando numa solidão maior, mais densa, mais escura, mais terrível.

Não quero alguém que ignore meus pedidos de socorro durante a madrugada, quando, para respirar só era preciso o som de sua voz.

Não quero alguém cujo “para sempre” seja provisório.

Não quero alguém que me olhe tão rapidamente a ponto de não me ver.

Alguém como você? Não, obrigado.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Cicatrizes

(Inspiração de Adele)

Cicatrizes de amor não desaparecem.

Tornam-se invisíveis, mas permanecem.

Cicatrizes de um amor findado

por ambas as partes não ardem,

e à elas chamamos lembranças.

Cicatrizes de um amor unilateral

flamejam, inflamam.

E você ainda me pede calma?

Acha que estou errado?

Só porque choro escondido,

todo encolhido no canto do quarto?

Ou porque viro noites bebendo

só para distrair minha dor?

Minhas cicatrizes estão queimando.

Estão vermelhas, em carne viva.

Elas brilham.

Elas não são cor-de-rosa

como seus lábios.

Elas não pedem paz.

Nós podíamos ter tido tudo.

Quem sabe talvez por alguns

instantes nós tivemos.

Hoje, enquanto, você tem amor,

um sorriso e planos pro futuro.

Eu tenho cicatrizes que queimam,

um ódio enfeitando o rastro

que o amor deixou,

poemas ressentidos,

um cinzeiro cheio sobre a mesa,

discos de Maysa, de Amy, de Adele no rádio.

As cicatrizes do amor queimam,

as divas cantam,

o tempo passa sem correr

e eu vivendo

apenas com a vontade de morrer.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Morte de Amy Winehouse

O que há por trás daquela porta

música não é

Um silêncio quase que absoluto

talvez umas poucas palavras

murmuradas, incompreensíveis

Serão as últimas?

“Blake, where are you now?”

“I need your love, Blake, rescue me”

O que há por trás daquela porta

não tintila

No blues, no jazz, no music

No cigarretes, no Jack Daniels

Por trás daquela porta

o obscuro, o escuro mundo mudo

por se ver.

Por trás daquela porta

nothing, but her.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Em dias pares, dedico-me a desejar sua morte, que faria tudo mais fácil: não esperaria tanto que você voltasse, não desejaria que você pensasse em mim. Nos dias ímpares eu desejo que ele morra, cheio de esperança que assim, com ele morto, você fosse novamente meu. Todos os dias carros batem, aviões caem, balas perdidas acertam e pessoas infartam. E nunca vejo vocês como parte das estatísticas.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Na contramão


Ele caminhava em minha direção
de longe, já acompanhava seus passos distintos
as direções opostas que sempre seguimos
o jeito apressado que bem conheço
Ele, que tanto já caminhou comigo
lado a lado, vem agora na
contramão do meu destino
a mesma cara, os mesmos olhos
jaqueta nova, sapatos que nunca vi
a mesma boca que tanto já
beijaram as minhas costas
e corpo que há tanto lambi
vem agora em minha direção
com o rosto sério
uma expressão até então,
pra mim inédita
Caminhava entre os pedestres
quem amei e com quem me perdi
eu olhei para o outro lado
ele fingiu que não me viu.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Poema de Nova York

Sentado no Passeio Público
eu sonho com o Central Park
Almoçando no Ernesto
eu sonho com o Pastis
Atravessando a Rio Branco
sonho com a 5th Avenue
Andando pelo CCBB
sonho com o Guggenheim

Nova York e suas ruas,
silly dream, silly drama
A Nova York dos filmes que amo,
dos quais, sonho pertencer

Um amor Nova Yorkino
só pra me aquecer.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Fim de festa


Nem ainda é quarta-feira
E já chovem cinzas
E já guardo as máscaras
.
Nem terminou o carnaval
e nada de alegorias
nada de blocos, alegrias
.
E o meu samba não foi campeão
Nem um acorde, nem um apito
Só saudade e silêncio no coração.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

La Douleur Exquise

para William Go

No mundo lá fora ainda é dia, mas não dentro deste quarto. O quarto dele, onde mantêm seu corpo inteiro armado. Enquanto o mundo gira, ele se prepara para seu ato, mesmo que seu homem amado ainda não esteja em cena. Quer se dar como nunca antes, entregar-se pleno ao seu amante. Seus brinquedinhos já estão sobre a cama e seu pudor, do lado de fora deste cômodo. Enquanto aguarda, fantasia. Quem é este homem que irá lhe virar do avesso e percorrer-lhe galáxias não-descobertas? Pensa em abrir uma garrafa de vinho, mas bebe água Perrier, pensa em acender um cigarro, mas escreve versos no lençol. O tempo passa e ele fica cada vez mais excitado, pensa em aliviar-se com suas mãos, mas não quer poupar seu homem do trabalho. Aquele homem que ele ama, com quem finalmente conquistará o Nirvana. Levanta, olha a cama, vai ao espelho, sente-se pronto, sabe que nunca mais terá coragem de expor sua própria chama. Sabe que, bem no fundo, o prazer está na coisa inédita, no inimaginável e que tentar o trivial nesta altura do campeonato não teria a menor graça. Irrita-se com a demora, molha as pontas dos dedos com saliva e acaricia os mamilos. A porta se abre, seu homem chega, deixando também seus preconceitos sobre a mesa. Eles agora se olham, e sabem que estão em outro mundo, um submundo, um lugar menor e escuro onde não é preciso raciocínio, onde a razão e as roupas são inadequadas. Eles se beijam. Dentes e línguas. O homem amado o acorrenta. Ele gosta. O homem amado o pega pelos cabelos. O homem amado tira a gravada e o venda. O homem amado o possui sobre a cadeira e em seu corpo não há um só poro que não deseja ser invadido por febres, líquidos e paixão. Ele se rende aos fetiches como quem abre os braços para o céu, e no fundo, sabe que nada compensará essas horas tão lascivas e imponderáveis, e que ele nunca se sentiu tão bem e que nada se comparará a esta dor maravilhosa que ele, agora, sente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Drowned World


I feel like I’m drowning
There’s nobody to rescue me
Early in the morning
Nobody will be there for me

Ages and ages now surround
my dreams and deep in the night
I feel extremely sick.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carreira Literária

Não é por dinheiro
que homem algum
se põe à escrever poemas
Nem mesmo quer reconhecimento
predileção, honraria
ou alguma menção

Um homem se põe
à escrever poemas
para definir o que não
se conhece
para entender o que não
se vê
dominar o que não
se aquieta de tão
desenfreado
que se é

Ou apenas rabiscar
algumas linhas
sem sentido

Como estas
que tenho escrito agora.